Governo Meloni prepara projeto para alterar sistema eleitoral

ROMA, 26 FEV (ANSA) – Os partidos conservadores que apoiam o governo da premiê da Itália, Giorgia Meloni, chegaram a um acordo a respeito de um projeto para alterar o sistema eleitoral do país, que já sofreu diversas modificações ao longo das últimas décadas.   

O texto passa por revisões técnicas e ainda não foi divulgado, mas, segundo informações de bastidores, teria como objetivo garantir “estabilidade” para quem vencer as próximas eleições, previstas para 2027, tema caro em uma nação que soma 68 governos e 31 premiês em cerca de 80 anos de história republicana.   

O sistema eleitoral italiano elege 63% dos parlamentares através do voto proporcional, ou seja, com o número de assentos na Câmara e no Senado distribuídos de acordo com o percentual obtido por cada partido ou coligação.   

Já os 37% restantes são escolhidos em uma espécie de voto distrital, com a divisão da Itália em diversos colégios majoritários, onde apenas o candidato mais votado em cada um chega ao Parlamento. Desse modo, o eleitor pode dar dois votos para a Câmara e dois para o Senado, em um sistema utilizado até hoje apenas no pleito de 2022.   

Esse modelo permitiu que a coalizão de direita, com 43,79% dos votos para a Câmara e 44,02% para o Senado, alcançasse maioria confortável nas duas casas, garantindo uma estabilidade rara para Meloni, cujo governo já é o terceiro mais longevo da Itália republicana.   

Ainda assim, a base aliada deseja alterar o sistema eleitoral para acabar com o componente majoritário, criando um modelo 100% proporcional, porém com um prêmio de “governabilidade” de 70 assentos na Câmara e 35 no Senado para a coalizão que superar 40% dos votos.   

Caso duas coligações fiquem entre 35% e 40%, ela disputariam uma espécie de segundo turno para decidir quem ficaria com esse prêmio de maioria. A cláusula de barreira seria mantida em 3%, mas ainda não está claro se haveria modificações no voto dos italianos no exterior.   

“Estamos trabalhando em uma lei eleitoral que dê estabilidade ao país, traduzindo de modo claro o voto dos cidadãos e garantindo à Itália um governo forte”, disse o deputado Stefano Benigni, vice-secretário nacional do partido Força Itália (FI).   

A oposição, no entanto, acusa o governo de querer alterar o sistema eleitoral para se manter no poder. “A direita tem medo de perder as próximas eleições, e é isso que orienta suas escolhas. Eles decidiram alterar a lei eleitoral não para melhorar a democracia, mas para blindar o poder”, declarou o deputado Marco Sarracino, do progressista Partido Democrático (PD). (ANSA).