ROMA, 29 JAN (ANSA) – O governo da premiê da Itália, Giorgia Meloni, planeja abrir um inquérito administrativo para apurar por que não foram tomadas medidas para evitar que o deslizamento de terra na cidade de Niscemi, na Sicília, tivesse consequências tão dramáticas.
O desastre ocorreu na esteira da passagem do ciclone Harry pelo sul italiano e abriu um precipício de quatro quilômetros de extensão e até 20 metros de altura, forçando a evacuação de mais de 1,3 mil pessoas, enquanto centenas de imóveis correm o risco de ser arrastados por novos deslizamentos a qualquer momento. = Segundo o ministro da Defesa Civil, Nello Musumeci, o objetivo é investigar possíveis “omissões” do poder público após um evento semelhante ocorrido em Niscemi em 1997. “Provavelmente estavam convencidos de que o deslizamento tinha acabado, mas tudo isso precisa ser avaliado com um inquérito administrativo”, declarou ele em entrevista à RaiNews24.
“É importante fazer um relato do que aconteceu nos últimos 30 anos e por que chegamos a um ponto sem retorno. Em 1997, nenhuma providência foi tomada, e eu gostaria de entender se o fenômeno foi subestimado”, acrescentou.
Apesar de uma situação estável nas últimas horas, ainda há risco de novos deslizamentos em Niscemi devido à presença de grandes quantidades de água no subsolo. Segundo Musumeci, a fronteira do precipício pode avançar até 150 metros dentro da cidade, o que atingiria centenas de imóveis.
“São casas que, muito provavelmente, não poderão mais ser habitadas”, declarou o ministro. Inicialmente, as autoridades divulgaram que mais de 1,5 mil pessoas tinham sido evacuadas, porém o dado mais recente, publicado pela Defesa Civil nesta quinta-feira (29), elenca 1.309 desalojados, sendo que quase todos já encontraram abrigo com familiares e amigos.
Niscemi, município de cerca de 30 mil habitantes, fica em uma colina que, de acordo com o chefe da Defesa Civil, Fabio Ciciliano, está lentamente deslizando em direção à planície.
(ANSA).