Governo francês ameaça ‘intervir’ para acabar com greve nas refinarias

Governo francês ameaça 'intervir' para acabar com greve nas refinarias

O governo do liberal Emmanuel Macron ameaçou nesta terça-feira (11) “intervir” para acabar com a greve nas refinarias e postos de gasolina, as quais exigem um aumento salarial, e que provocaram uma escassez de combustível na França.

“Ou a negociação [entre empresas e sindicatos] começa, é bem-sucedida e os depósitos de combustível são reabertos rapidamente, ou vamos usar os outros meios disponíveis, incluindo requisições”, alertou o ministro da Economia, Bruno Le Maire.

Se a situação não melhorar “muito rápido”, o governo poderá “desbloquear, reabrir o acesso aos centros de depósito e refinarias e recrutar o pessoal adequado para permitir a normalização da situação”, disse o porta-voz do governo, Olivier Véran.

Na noite de segunda-feira, a primeira-ministra Élisabeth Borne convocou uma reunião de emergência com os ministros do Interior, Gérald Darmanin, da Transição Ecológica, Agnès Pannier-Runacher, e dos Transportes, Clément Beaune, além de Véran.

Apesar da pressão das autoridades, vários sindicatos retomaram as greves nesta terça-feira em estabelecimentos da TotalEnergies, incluindo sua principal refinaria em Le Havre (norte), e em duas refinarias de sua rival Esso-ExxonMobil.

A ação fez com que quase 29,7% dos postos de gasolina na França ficassem sem pelo menos um tipo de combustível, segundo dados oficiais, apesar dos esforços do governo para aliviá-los, como o uso de reservas estratégicas.

O sindicato da CGT, que convocou a greve na TotalEnergies, exige um aumento salarial de 10% em 2022 –7% pela inflação e 3% pela distribuição de riqueza–, mas a direção está aberta a negociar apenas o salário dos 2023.

Os grevistas conseguiram fazer com que a empresa concordasse em adiantar em um mês a negociação salarial prevista para novembro, mas com a condição do fim da greve, o que consideram “uma chantagem”.

Na Esso-ExxonMobil, CGT e FO retomaram a greve, considerando insuficiente um acordo feito no dia anterior entre a direção e outros sindicatos para um aumento salarial de 6,5% em 2023, acompanhado de vários bônus.

Embora nos últimos dias o governo tenha se limitado a apelar ao diálogo, suas ameaças de intervenção chegam agora em um momento em que está sob pressão, especialmente por parte da oposição.

A extrema-direita e a direita acusam a “falta de antecipação” do governo e pedem ações, enquanto, num contexto de inflação, a esquerda critica as “ameaças aos trabalhadores” e “carícias aos patrões”.