O governo federal voltou a defender o fim da escala 6×1 no Brasil por meio das redes sociais. Em publicação veiculada no Instagram nesta quinta-feira, 26, o Palácio do Planalto classificou a pauta como um “avanço”, rechaçando a oposição no campo do “retrocesso”.
“De um lado, interesses que querem eternizar o sofrimento de milhões de trabalhadores. Do outro, o povo que nunca recusou trabalho, mas agora quer também tempo pra viver.”, descreve o governo. O post representa a disputa como um “cabo de guerra” e incentiva a redução da jornada trabalhista como uma conquista de “justiça social”. A proposta é vista como prioridade para turbinar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Planalto também garante que a mudança não vai gerar desemprego e que a economia brasileira possui condições de absorver as novas regras de escala. “Apoiar o pequeno empresário e garantir o descanso de milhões: esse é o nosso compromisso!”, diz a legenda.
Ver essa foto no Instagram
+ Fim da escala 6×1 tem dois caminhos possíveis no Congresso; entenda
+ Fim da escala 6×1 deveria ser gradual e começar por setores menos impactados, diz CLP
A guerra do 6×1
O fim da escala de seis dias trabalhados e um de descanso tornou-se uma das principais bandeiras de reeleição do presidente Lula. A intenção da base governista é resolver o assunto ainda no primeiro semestre de 2026 a fim de usar a conquista como trunfo de campanha.
Bandeira clássica dos movimentos trabalhistas, a redução dessa jornada é debatida há tempos no Legislativo. No ano passado, o assunto voltou a aparecer no debate público – e talvez pela primeira vez com engajamento em massa – com a união do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e de parlamentares da base governista. No total, há quatro Propostas de Emenda à Constituição (PEC) tramitando no Congresso sobre a escala 6×1, sempre sob o princípio de “redução de jornada sem redução de salário”. A mais popular é a PEC 8/2025, de autoria de Erika Hilton, que reduz o limite de trabalho de 44 para 36 horas semanais.
A principal oposição à PEC fora do Congresso vem do empresariado, que passou a atuar como força política indireta no debate legislativo ao reforçar alertas sobre impactos econômicos da medida. Entidades do setor produtivo sustentam que a redução pode elevar custos, pressionar preços e comprometer a competitividade das empresas, mesmo diante de estudos sobre ganhos de produtividade.
Em declaração recente, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, garantiu que seu partido e o União Brasil “darão a vida” para que o fim da escala não seja aprovado. O presidente do Progressistas, Marcos Pereira, também seguiu o discurso da oposição e disse em entrevista à Folha de S. Paulo que “ócio demais faz mal”, pontuando críticas à redução da jornada trabalhista.