Governo dos EUA anuncia sanções contra Irã por repressão a protestos

WASHINGTON, 15 JAN (ANSA) – O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (15) novas sanções contra o Irã por causa da violenta repressão aos protestos que chacoalharam o país nas últimas semanas.   

Em nota, o governo americano afirmou que a medida mira os “arquitetos da brutal repressão do regime iraniano contra manifestantes pacíficos”, bem como as “redes bancárias paralelas que permitem à elite iraniana roubar e lavar a receita gerada pelos recursos naturais do país”.   

“Os Estados Unidos apoiam firmemente o povo iraniano em seu chamado por liberdade e justiça”, disse o secretário americano do Tesouro, Scott Bessent. “O Tesouro usará todas as ferramentas disponíveis para atingir aqueles que estão por trás da tirânica opressão dos direitos humanos promovida pelo regime”, acrescentou.   

Entre os oficiais de segurança sancionados está Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN), órgão de aconselhamento da principal autoridade do país, o aiatolá Ali Khamenei. Segundo a Casa Branca, “Larijani foi um dos primeiros líderes iranianos a incitar a violência em resposta às demandas legítimas do povo”.   

A lista ainda inclui Mohammad Reza Hashemifar, comandante das forças policiais da República Islâmica na província do Lorestão, e Nematollah Bagheri, comandante da Guarda Revolucionária na mesma região, onde agentes do regime “cometeram múltiplas atrocidades contra civis”.   

Outros sancionados são Azizollah Maleki e Yadollah Buali, homólogos de Hashemifar e Bagheri na província de Fars, onde as “forças de segurança assassinaram incontáveis manifestantes pacíficos”.   

O Departamento do Tesouro também puniu 18 indivíduos e entidades que “desempenham papéis cruciais na lavagem de dinheiro proveniente da venda de petróleo e produtos petroquímicos iranianos para mercados estrangeiros”.   

Todos os bens e ativos dos sancionados sob jurisdição americana ficam bloqueados, e a medida também proíbe transações envolvendo cidadãos e residentes dos EUA.   

O governo Trump tem incentivado as manifestações, que começaram por conta da deterioração econômica e da disparada do custo de vida no Irã, mas logo abarcaram toda a insatisfação contra um regime teocrático xiita que comanda o país desde a Revolução Islâmica de 1979.   

O presidente chegou a ameaçar bombardear a nação persa, porém deu sinais de recuo ao dizer que a “matança no Irã está parando”. (ANSA).