O governo dos Estados Unidos intensificou nesta segunda-feira (10) a pressão por uma trégua na Faixa de Gaza, onde prosseguem os bombardeios, ao exigir a votação no Conselho de Segurança da ONU de uma resolução que pede um cessar-fogo a Israel e ao grupo islamista Hamas, além de enviar o chefe de sua diplomacia, Antony Blinken, à região.

Fontes diplomáticas afirmaram que esperam uma votação nesta segunda-feira do texto de apoio ao plano de trégua apresentado em maio pelo presidente americano, Joe Biden, mas a informação não foi confirmada pela presidência sul-coreana do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A terceira versão do plano, à qual a AFP teve acesso, contempla em uma primeira fase um cessar-fogo “imediato e completo”, a libertação dos reféns sequestrados pelo Hamas em uma troca por prisioneiros palestinos, a retirada do Exército das áreas de maior população de Gaza e a entrada de ajuda humanitária.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, é aguardado nesta segunda-feira na região para dar continuidade aos esforços de paz, mas sem garantias de sucesso diante das divisões no gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e do silêncio do Hamas.

Blinken será recebido no Cairo pelo presidente egípcio Abdel Fatah al Sisi, antes de um encontro com Netanyahu em Jerusalém.

A visita acontece um dia após a renúncia de Benny Gantz ao gabinete de guerra, o sinal mais recente da crescente divisão em Israel sobre como enfrentar o movimento palestino Hamas.

Gantz exigiu a adoção de um “plano de ação” para o pós-guerra em Gaza.

Antes da renúncia, as forças especiais israelenses enfrentaram no sábado grupos de combatentes palestinos no campo de refugiados de Nuseirat, centro da Faixa de Gaza, onde libertaram quatro reféns.

– “Massacre” –

Muitos israelenses celebraram a libertação dos reféns. O Exército divulgou imagens dos reféns abraçando os seus parentes e o governo publicou imagens de Netanyahu visitando os quatro libertados no hospital.

O Ministério da Saúde de Gaza, governada pelo Hamas, afirmou que 274 pessoas morreram e 698 ficaram feridas na operação, que chamou de “massacre” em uma área densamente povoada do território palestino. Não foi possível confirmar os números com fontes independentes.

Do lado israelense, um policial morreu na operação.

O Exército deixou um cenário de desolação, segundo imagens da AFPTV: veículos queimados, edifícios destruídos ou em ruínas, incêndios e escombros, enquanto moradores abriam caminho entre os destroços para apagar as chamas ou socorrer os feridos.

– Netanyahu mantém a maioria –

A renúncia de Gantz não deve provocar grandes mudanças políticas a curto prazo.

A coalizão de governo de Netanyahu mantém a maioria no Parlamento com o apoio dos partidos de extrema direita e ultraortodoxos.

E a libertação dos quatro reféns é um incentivo para Netanyahu em sua estratégia militar.

O Exército israelense prosseguiu no domingo com as operações em Gaza, onde o bombardeio contra uma casa na Cidade de Gaza durante a noite matou cinco pessoas, incluindo uma mulher grávida de oito meses, afirmou o porta-voz dos serviços de segurança civil palestinos.

O Exército americano anunciou no domingo a retomada do lançamento de ajuda humanitária por paraquedas, com 10 toneladas de alimentos lançados no norte da Faixa de Gaza, onde os 2,4 milhões de habitantes enfrentam o risco de fome.

Washington havia anunciado no dia anterior a retomada das entregas de ajuda a partir de um cais temporário no centro de Gaza.

Mais de 37 mil palestinos, a maioria civis, morreram desde o início da guerra em 7 de outubro, segundo o Ministério da Saúde do governo de Gaza.

Na data, milicianos do Hamas executaram um ataque sem precedentes em território israelense e mataram 1.194 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais.

O grupo fez ainda 251 reféns, dos quais 116 permanecem detidos em Gaza, incluindo 41 que estariam mortos, de acordo com o Exército israelense.

Israel prometeu aniquilar o Hamas, que governa Gaza desde 2007, classificado como organização terrorista por Estados Unidos e União Europeia.

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