Governo da Nicarágua declara embaixadora da UE “persona non grata”

Governo da Nicarágua declara embaixadora da UE "persona non grata"

O governo da Nicarágua declarou a embaixadora da União Europeia (UE) no país, a alemã Bettina Muscheidt, “persona non grata”, disse uma fonte diplomática à Reuters e vários meios de comunicação do país centro-americano confirmaram a informação.

A decisão acontece dias depois que a delegação da UE na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) pedir ao presidente Daniel Ortega “que devolva a soberania da Nicarágua ao povo nicaraguense”.

Uma fonte diplomática europeia afirmou que a embaixadora foi notificada verbalmente da medida por um funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Nicarágua, mas explicou que a parte afetada ainda não recebeu uma comunicação escrita.

O governo Ortega já declarou o então embaixador do Vaticano em Manágua, Waldemar Sommertag , “persona non grata” em fevereiro, e o notificou verbalmente; além de retirar o placet do embaixador designado dos Estados Unidos, Hugo Rodríguez, em julho.

Em 2018, uma onda de protestos contra o governo Ortega deixou pouco mais de 300 mortos e dezenas de detidos. Desde então, o presidente se radicalizou, e em 2021 prendeu possíveis candidatos, abrindo caminho para obter um quarto mandato consecutivo sem oposição.

Os Estados Unidos, a UE e várias nações latino-americanas criticaram a reeleição e a radicalização do presidente, que incluiu uma cruzada contra meios de comunicação críticos ao governo. 

“Toda a minha solidariedade e apreço à minha estimada embaixadora Bettina Muscheidt, representante da União Europeia em Manágua, que foi vulgarmente expulsa pela ditadura de Ortega e Murillo, que nada sabe de diplomacia”, disse Arturo McFields, ex-embaixador da Nicarágua junto à Organização de Estados Americanos (OEA).

(Reportagem de Ismael López; reportagem adicional de Diego Oré)

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