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Governo da França teme ‘grande violência’ no sábado

PARIS, 06 DEZ (ANSA) – A ministra para a Coesão Territorial da França, Jacqueline Gourault, pediu para as pessoas “ficarem em casa” no próximo sábado (8), quando estão previstos novos protestos dos “coletes amarelos” contra as políticas do presidente Emmanuel Macron.   

“Quem não for forçado a sair deve ficar em casa no sábado, porque há riscos de que [os protestos] acabem mal”, admitiu a ministra. Na capital Paris, palco de conflitos nos últimos sábados, as lojas da Champs-Élysées, avenida mais célebre da cidade, devem ficar fechadas, assim como a Torre Eiffel e ao menos sete museus.   

“As manifestações anunciadas para o próximo sábado não permitem que os visitantes tenham as condições necessárias de segurança”, diz um comunicado da empresa que administra a Torre Eiffel.   

Fontes da Presidência da República já admitiram à imprensa local que há motivos para se temer “grandes violências” no sábado e falaram até na possibilidade de “assassinatos”. Mais de 65 mil agentes das forças de ordem serão mobilizados para garantir a segurança nos protestos.   

Nesta quinta-feira (6), confrontos entre manifestantes e policiais já foram registrados em Nice e Marselha. Os “coletes amarelos”, nome que faz referência às vestimentas de segurança obrigatórias em todos os carros do país, surgiram para protestar contra o aumento dos combustíveis, principalmente do diesel.   

O presidente Emmanuel Macron, que é aprovado por apenas 21% do eleitorado, recorde negativo para esse período do mandato, anunciou na última quarta (5) a revogação de uma nova taxa sobre os combustíveis durante todo o ano de 2019, mas a medida não foi suficiente para desmobilizar os “coletes amarelos”.   

Já há suspeitas de infiltrações de grupos de extrema direita, e uma fonte da Presidência disse ao jornal “Le Figaro” que está em curso uma “tentativa de golpe de Estado”. Os serviços secretos teriam alertado o Palácio do Eliseu sobre “apelos para matar e usar armas de fogo contra parlamentares e as forças de ordem”.   

Parte dos manifestantes pede a renúncia de Macron, embora não haja nenhum pressuposto legal para ele deixar o cargo. (ANSA)