Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Dentro do que é possível considerar informações e dados veiculados por governos obscurantistas, a China decretou na semana passada aquilo que chama de “tolerância zero” em relação ao vírus da Covid. Um dos primeiros passos, segundo as autoridades do país, é o oferecimento de cerca de 100 mil yuanes (aproximadamente US$ 16 mil) ao cidadão que “der pistas que possam levar a pessoas que potencialmente geram risco de contaminação” — ou seja, a doença passou a ser tratada como caso de polícia. Um novo surto começava a tomar conta do país na quarta-feira 10, com pelo menos vinte províncias passando por aumento de casos de infecção — o governo chegou a decretar “guerra popular no combate ao coronavírus”. Outras providências anunciadas tratam do fechamento de determinadas fronteiras, extensas quarentenas e confinamento em áreas específicas. A primeira cidade a se manifestar sobre recompensas em dinheiro a delatores de não vacinados foi Heihe, que faz divisa com a Rússia. Também está intensificada a vigilância contra o contrabando. Além disso, quem observar pesca ou caça em regiões fronteiriças devem informar os responsáveis pela questão sanitária. Outro foco, considerado de alto risco, ataca a cidade de Henan. Ele acabou sendo relacionado ao funcionamento de escolas e, assim, está-se acelerando a vacinação (três milhões e quinhentas mil doses) de crianças entre três e onze anos de idade.

Índice maior que há dois anos 

Alemanha

Apesar de ter sido um dos países que combateram a pandemia com rigor e acerto, a Alemanha está apresentando o maior índice de infecção desde o início da enfermidade, há cerca de dois anos. Para cada 100 mil habitantes, registram-se 201,1 casos. Autoridades sanitárias já pensam em decretar novo isolamento social e intensificar a campanha de vacinação, sobretudo entre a população mais jovem.

Vacinou, ganhou

URGÊNCIA A Áustria sobe a testagem para todas as idades: ótimo recurso (Crédito: Leonhard Foeger)

Áustria

Medida inédita anunciada: lockdown só para não vacinados. Markus Soeder, líder do Estado da Baviera, na fronteira da Alemanha com a Áustria, declarou que “não adianta limitarmos a nossa ação à procura de pessoas idosas em suas casas e, então, vaciná-las”. Na semana passada, registravam-se na Áustria, em média, 600 casos para cada 100 mil habitantes. Segundo o governo, a tendência da curva de contaminação é aumentar.

FRONTEIRAS
O ditador da Belarus transforma gente em arma de guerra

TÁTICA PERVERSA Divisa entre Belarus e Polônia: invasão para desestabilizar a União Europeia (Crédito:Leonid Shcheglov)

Chegou ao ponto máximo a tensão na fronteira entre Belarus e Polônia, no Leste Europeu. Em uma maquiavélica estratégia sem precedentes na história, o ditador da Belarus, Aleksandr Lukachenko, faz de pessoas desesperadas um pesado arsenal de guerra. Eis sua tática: ele abre o país para refugiados do Oriente Médio e Norte da África, e depois, quando já estão em seu território, obriga-os a atravessarem ilegalmente a divisa com a Polônia. É a forma encontrada para desestabilizar a União Europeia e forçá-la a suspender as barreiras econômicas que foram impostas a Belarus. O ditador tem apoio bélico do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

LIVROS
Machado de Assis, em dois mil e trezentos aforismos

Divulgação

O Brasil acaba de ganhar a melhor e mais completa reunião de aforismos de Machado de Assis. Em dois volumes, trata-se da obra “Migalhas de Machado de Assis”, com seleção e organização do advogado Miguel Matos. Os machadianos conhecem a primeira versão disso tudo, lançada em 2009. Englobava mil e noventa e oito frases, reflexões e máximas daquele que é um dos principais escritores brasileiros. Agora, com novo conteúdo, revisto e ampliado, as “Migalhas” trazem dois mil e trezentos aforismos. “Machado de Assis, entre os seus diversos talentos, possuía o de sintetizar, numa única frase, um pensamento”, diz Matos. Há na obra um índice temático elaborado pela professora Maria Augusta Bastos de Mattos, da Unicamp. O trabalho é da Editora Migalhas, e cada volume custa R$ 39,00 — se comprados juntos (livrariamigalhas.com.br), ambos saem por R$ 69,90.

“Não se fazem os povos para os governos, mas os governos para os povos “Machado de Assis