A Globo anunciou uma ampla reorganização de sua estrutura de comando, com a saída de três executivos veteranos e mudanças em áreas consideradas estratégicas para os negócios da companhia.
Manuel Belmar, responsável por finanças, jurídico, infraestrutura e produtos digitais; Manoel Falcão, diretor de marca e comunicação; e Pedro Garcia, responsável pela área de aquisições e direitos, deixarão suas funções. Os três acumulam décadas de atuação na empresa.
A reformulação também estabelece uma estrutura composta por 11 diretorias diretamente ligadas ao diretor-presidente da Globo, Paulo Marinho. Segundo a companhia, o objetivo é aumentar a integração entre as operações, tornar as decisões mais ágeis e preparar a empresa para as transformações do mercado de mídia.
TV Globo e Estúdios passam a operar de forma integrada
Uma das principais alterações ocorre na produção de conteúdo. TV Globo e Estúdios Globo passam a fazer parte de uma estrutura unificada, comandada por Amauri Soares.
Soares já estava à frente da TV Globo e dos Estúdios Globo desde 2023. Com a nova organização, a companhia concentra as duas operações sob uma única gestão.
Outra mudança importante está no digital. Júlia Rueff assume a liderança das plataformas digitais, incorporando parte das responsabilidades anteriormente atribuídas a Belmar.
A área de direitos também foi reorganizada. Fernando Ramos passa a comandar Distribuição e Direitos, reunindo atividades que anteriormente estavam divididas. Já Cristovam Ferrara assume interinamente a estrutura de Consumidor, Marketing e Marca enquanto a Globo procura um executivo para ocupar a posição definitivamente.
Relações Institucionais, Jurídico e Compliance, por sua vez, deixam a estrutura operacional e passam para a holding do Grupo Globo.
Globo rebate relação das mudanças com Copa do Mundo
As alterações acontecem após a Copa do Mundo de 2026, competição em que a Globo adotou uma estratégia diferente da utilizada historicamente para aquisição dos direitos de transmissão.
Reportagens apontaram que a negociação do Mundial estaria entre os fatores que contribuíram para a reformulação. Neste ano, a Globo não adquiriu o pacote integral da competição, enquanto a CazéTV garantiu os direitos dos 100 jogos e posteriormente estabeleceu acordos de distribuição com outras plataformas.
A Globo, porém, nega que a saída dos executivos tenha relação com o desempenho ou com a negociação dos direitos da Copa.
Em comunicado interno, Paulo Marinho afirmou repudiar as especulações e disse que a estratégia para aquisição dos direitos do Mundial foi definida exclusivamente pelo Conselho de Administração da companhia, procedimento adotado para decisões dessa dimensão.
No caso de Manuel Belmar, a empresa afirma que a saída vinha sendo planejada havia aproximadamente dois anos. O executivo permanecerá na Globo até o primeiro trimestre de 2027 para conduzir a transição.
Manoel Falcão encerra uma trajetória de quase três décadas na companhia, enquanto Pedro Garcia soma aproximadamente 45 anos de atuação e esteve entre os fundadores da Globosat.
Nova estrutura terá 11 diretorias
Com a reorganização, a Globo passa a trabalhar com diretorias responsáveis por plataformas digitais, publicidade, TV e estúdios, jornalismo, esportes, consumidor e marketing, tecnologia, distribuição e direitos, finanças, estratégia e governança e pessoas e cultura.
Ao anunciar as mudanças, Paulo Marinho afirmou estar confiante de que o novo modelo tornará a companhia mais integrada, ágil e preparada para os desafios futuros.
A reformulação reforça ainda a estratégia da Globo de aproximar suas diferentes frentes de produção e distribuição de conteúdo em um mercado no qual televisão aberta, streaming, plataformas digitais e direitos esportivos disputam cada vez mais a atenção do mesmo público.
Da IstoÉ