Brasil

Glenn diz que denúncia é ataque à liberdade de imprensa

SÃO PAULO, 21 JAN (ANSA) – O jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, publicou um vídeo em sua conta no Twitter na tarde desta terça-feira (21) no qual critica a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, no âmbito da investigação sobre invasões contra celulares de autoridades. Segundo ele, a medida é um “ataque a liberdade de imprensa, o STF, as conclusões da PF e a democracia brasileira”, justamente por isso irá “defender uma imprensa livre”. “Não seremos intimidados pelo abuso do aparato do estado nem pelo governo Bolsonaro”, escreveu. Na gravação, Greenwald, que é acusado pelo procurador Wellington Divino Marques de Oliveira de ser “orientador de criminosos”, ainda disse que este é o mesmo “procurador que tentou criminalizar o Felipe Santos Cruz – presidente da OAB -por criticar Sergio Moro”.   

“Obviamente, ele está abusando de seu cargo para atacar inimigos políticos”, acrescentou. “A própria PF, sob o comando do ministro Moro fez uma investigação completa e concluiu com clareza que eu não cometi nenhum crime, muito pelo contrário. Sempre fiz meu trabalho como jornalista com muita cautela, responsabilidade e profissionalismo”, argumentou o jornalista.   

Greenwald também afirmou que, além de ser um ataque contra a imprensa livre, sua reportagem é “também contra a Polícia Federal e o STF que disse que eu não posso ser investigado – muito menos denunciado – pela minha reportagem, porque é uma violação do direito constitucional de uma imprensa livre”. Para o jornalista, a denúncia é uma “retaliação para o governo Bolsonaro” e isso não o intimidará. “Nós vamos continuar a fazer nosso jornalismo. Estou fazendo nosso trabalho agora para a próxima reportagem e nós sempre vamos defender uma imprensa livre”, finalizou. Minutos antes, o jornalista já havia publicado uma nota na rede social na qual diz que o “governo Bolsonaro e o movimento que o apoia deixaram repetidamente claro que não acreditam em liberdade de imprensa”. “Não seremos intimidados por essas tentativas tirânicas de silenciar jornalistas. Estou trabalhando agora com novos relatórios e continuarei a fazer meu trabalho jornalístico.   

Muitos brasileiros corajosos sacrificaram sua liberdade e até sua vida pela democracia brasileira, e sinto a obrigação de continuar esse nobre trabalho”, concluiu. Abraji – A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também criticou a denúncia do MPF contra Greenwald e disse que a Polícia Federal, ao investigar o caso, não encontrou indícios de que o jornalista tivesse envolvimento nos crimes. (ANSA)