‘Gilmarlândia’: o que se sabe sobre o projeto de cidade em homenagem a Gilmar Mendes

Caso seja concretizado, o local se tornará o 143° município mato-grossense

Gilmar Mendes
Ministro do STF Gilmar Mendes Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Proposto pelo empresário Eraí Maggi, conhecido como o “Rei da Soja”, o estado de Mato Grosso poderá ganhar um novo município, batizada informalmente de “Gilmarlândia“, em homenagem ao decano do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Gilmar Mendes.

Pelo projeto, lançado no dia 21 de fevereiro de 2026, a cidade planejada, com nome provisório de Nova Aliança do Norte, deverá ser construída em uma área no limite dos municípios de Diamantino — onde Gilmar Mendes nasceu e tem como prefeito o irmão do ministro, Chico Mendes — e São José do Rio Claro.

O local reunirá terras doadas pelo empresário Eraí e pela família do decano do STF. Após a implementação, a ideia é desmembrar a área e criar o novo munícipio, que ficará localizado a pouco mais de 300 quilômetros da capital Cuiabá e poderá receber o nome do magistrado.

Caso seja concretizado, o local se tornará o 143° município mato-grossense. A criação da nova cidade depende de etapas legais, como estudos de viabilidade e consultas públicas, antes de eventual aprovação.

A previsão é que “Gilmarlândia” tenha infraestrutura de serviços planejada e concentraria famílias de trabalhadores do agro da região, que hoje moram em locais distantes, muitos a mais de 100 quilômetros das fazendas em que trabalham e dos municípios-mãe do novo distrito.

Durante discurso no lançamento do projeto, o “Rei da Soja” ressaltou a distância das fazendas de escolas, hospitais e serviços públicos, para justificar a criação da nova cidade.

Depois, o ministro Gilmar Mendes, presente no evento, defendeu uma “soma de esforços” entre o poder público, a iniciativa privada e a comunidade para viabilizar o novo município.

“Eu acho importante essa iniciativa de se ter um núcleo de apoio para as famílias e pessoas que trabalham nessa região. Já temos a experiência da Deciolândia e agora temos esse projeto que há muito era sonhado pelo Eraí Maggi e que começa a ter desdobramentos”, afirmou o decano.

Já o presidente da ALMT (Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PSB), disse não haver barreiras dentro da casa legislativa para a criação da “Gilmarlândia”.

Homenagens desde o império

A prática de batizar cidades com nomes de integrantes dos Poderes ocorre desde o Império e é considerada uma homenagem invejável.

Cidades como Petrópolis e Teresópolis, na Região Serrana do Rio, tiveram nomes inspirados no imperador Dom Pedro II e na imperatriz Teresa Cristina, respectivamente.

A princesa Isabel, filha do imperador, chegou a motivar um projeto de Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o Barão de Paty do Alferes, para a criação de “Isabelópolis”. O município ficaria no alto da hoje reserva biológica de Tinguá, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Um surto de cólera, porém, atrapalhou os planos do barão. Do local sobraram apenas ruínas.

Outros cidades ganharam nomes de chefes de Estado brasileiros e estrangeiros, como Getulio Vargas (RS) e Presidente Kennedy (ES). Durante o período da ditadura, as honrarias voltaram a ganhar força e distritos emancipados receberam nomes de presidentes militares ou inspirados neles, como Medicilândia (PA), em referência a Emílio Médici.