Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Os gigantes da tecnologia contratam menos e os engenheiros adotaram plenamente o teletrabalho, mas o Google está abrindo novos escritórios futuristas no Vale do Silício, que vê o estabelecimento de novas tendências no mundo do trabalho.

Em Mountain View, a 1,5 km de sua sede, o grupo californiano construiu dois imensos edifícios vidrados, cobertos de painéis solares.

A Alphabet, empresa-matriz do Google, não revelou o montante que custou seu “Bay View Campus”, onde poderão trabalhar até 4.500 pessoas. A empresa tinha, até o fim de março, cerca de 164.000 funcionários no mundo, um número 17% maior do que há um ano.

O panorama é diferente entre algumas outras empresas do setor. Meta (Facebook, Instagram), Microsoft, Amazon, Nvidia, Snap e Uber anunciaram recentemente uma redução do ritmo de contratações por um contexto econômico desfavorável, depois de contratar a torto e a direito durante a pandemia.

– Conexão e desconexão –

Várias empresas como o Twitter, em San Francisco, deixaram as portas abertas ao teletrabalho, já que muitos engenheiros preferem essa modalidade. Muitos têm dificuldades para fazer as equipes retornarem de forma presencial, em particular por temor da covid.

“Acredito que 10% do pessoal [do Google] escolheu e conseguiu trabalhar a partir de suas casas”, destacou Michelle Kaufmann, diretora de pesquisa e desenvolvimento para os escritórios da companhia, durante uma visita para a imprensa.

Kaufmann espera que os novas escritórios, concebidos muito antes da pandemia, satisfaçam os demais funcionários que dividem sua semana entre o trabalho presencial e o remoto.

As instalações têm restaurantes, cafés, academia de ginástica e salas de reunião, em torno de várias “praças públicas”.

Os escritórios não têm muros, para que haja conexão entre as equipes, indica a arquiteta.

O Google espera separar o trabalho em equipe e a criatividade para que as tarefas mais solitárias sejam feitas em casa.

A construção levou cinco anos, com metas ambientais ambiciosas. A Alphabet pretende se tornar neutra em emissões de carbono até 2030.

O novo campus é neutro em 90% do tempo, graças a painéis solares e baterias geotérmicas. A água é reaproveitada e reutilizada em tudo aquilo que não requer água potável.

Os sistemas de ventilação utilizam 100% de ar proveniente do exterior, ao invés dos 20%, em média, dos escritórios convencionais.

“Por sorte, muitas das coisas que previmos funcionam muito bem em relação à covid”, afirma Kaufmann. O vírus “acelerou” processos, acrescentou.