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Giammattei pede a Kamala para ‘regularizar’ migrantes guatemaltecos

Giammattei pede a Kamala para ‘regularizar’ migrantes guatemaltecos

O presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei, saúda colaborador ao final de uma entrevista com a AFP em El Tejar, 60 km a oeste da Cidade da Guatemala, em 8 de junho de 2021 - AFP


O presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, sugeriu à vice-presidente americana, Kamala Harris, que seus migrantes acessem o estatuto de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês), para diminuir a pressão sobre sua economia porque uma reforma migratória levará tempo.

“Eles [os EUA] queriam não o TPS, mas uma reforma migratória. Nós estamos dizendo-lhe que acreditamos que a reforma migratória vai levar muito tempo e precisamos estabilizar as pessoas que estão lá e que isso nos ajude com o crescimento econômico do país e regularizar a maior quantidade de gente possível”, disse o chefe de Estado em conversa com a AFP.

Giammattei recebeu a vice-presidente americana na véspera para abordar as causas da crescente migração da América Central para os Estados Unidos, quando fez a proposta. O presidente informou que Alejandro Mayorkas, secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), viajará em breve ao país centro-americano para abordar o tema.

“Está em análise, sabemos que está em análise no Homeland Security, e o secretário Mayorkas virá à Guatemala no fim deste mês [junho] e é ele que tem [o tema] em suas mãos, é o último que tem o parecer, os demais pareceres são favoráveis”, comentou. A visita está prevista para 28 de junho.

As remessas para a Guatemala alcançaram um recorde de 11,3 bilhões de dólares em 2020, apesar da pandemia, montante similar ao que o país recebe por exportações, equivalente a 15% de seu PIB.

A chancelaria local estima que vivam nos Estados Unidos cerca de 2,7 milhões de guatemaltecos, mas apenas 400.000 têm documentos para trabalhar.

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O chefe de Estado esteve nesta terça-feira em El Tejar, povoado a oeste da capital, no início da construção de um hospital financiado por Taiwan.

-“As sete pragas”-

“No ano passado, sofremos as sete pragas do Egito. Só com [os furacões] Eta e Iota temos 1,8 milhão de pessoas afetadas e precisamos que as pessoas que estão nos Estados Unidos trabalhando fiquem trabalhando nos Estados Unidos. Por isso, estamos pedindo o TPS. Esperemos o final de junho”, acrescentou.

O pedido de Giammattei chega em um momento em que a Suprema Corte dos Estados Unidos negou a quem tiver uma permissão temporária de residência a possibilidade de residência definitiva, se sua entrada no país tiver sido ilegal.

O Estatuto de Proteção Temporária (TPS) foi criado nos anos 1990 para amparar da deportação e permitir trabalhar legalmente os estrangeiros que por causa de desastres naturais ou instabilidade política em seus países não conseguiram voltar de forma segura.

O benefício pode ser aplicado de seis a 18 meses, renováveis até que as condições mudem. Em 11 de março de 2021, quase 320.000 estrangeiros nos Estados Unidos estavam protegidos por TPS atribuídos a dez países: El Salvador, Haiti, Honduras, Nepal, Nicarágua, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen.

O governo Biden somou três novas designações de TPS: para a Venezuela e Mianmar em março e uma nova para o Haiti em maio.

Juntamente ao pedido do TPS, a Guatemala também defende a criação de empregos para evitar que as pessoas migrem ou para aquelas que foram expulsas dos Estados Unidos possam trabalhar na indústria local de ‘call center’, por exemplo, pois a “maioria fala inglês”.

-Capacitação, não intervenção –

Giammattei contou que sua reunião com a vice-presidente – que depois da visita partiu para o México – “foi muito boa”, com um “diálogo muito franco, no qual foram apresentados projetos de cooperação”.

No encontro, Harris pediu um trabalho conjunto para evitar que as pessoas deixem suas casas, arriscando sua integridade na rota América Central-Estados Unidos.

Outro dos temas que a vice-presidente trouxe na agenda foi o da luta contra a corrupção, quando Washington mostrou sua preocupação com a nomeação de alguns magistrados questionados e as denúncias de intimidação ao trabalho do procurador contra a impunidade.

Os Estados Unidos criaram uma “força-tarefa” para o combate à corrupção na América Central, com um grupo de procuradores e especialistas que apoiará seus colegas guatemaltecos em abordar este tipo de casos.

“A ideia é nos ajudar a localizar os fundos, quando forem produto de corrupção, de alguma atividade ilícita”, disse o presidente. “O que pedimos aos Estados Unidos é que entregue [os fundos] à Guatemala, para que sejam fundos que venham a aumentar a capacidade [de trabalho] do Ministério Público”.

“Não é uma intervenção em julgamentos, mas apoiar os servidores do Ministério Público e do organismo judicial a terem mais capacidade e, sobretudo, o planejamento na busca dos recursos, para onde estão indo”, avaliou.

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