Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

Ghislaine Maxwell foi sentenciada nesta terça-feira (28) a 20 anos de prisão por um juiz federal americano por ajudar o falecido consultor financeiro Jeffrey Epstein a abusar sexualmente de menores.

A filha do magnata britânico da imprensa Robert Maxwell, que tem nacionalidade americana e francesa, foi condenada por tráfico sexual de menores para Epstein, seu ex-parceiro e amigo, que cometeu suicídio na prisão em 2019.

Na audiência final em um tribunal de Manhattan, Maxwell admitiu “o terrível dano” que causou “a muitas mulheres”. “É difícil de ouvir e ainda mais difícil de assumir. Sinto por toda a dor que passaram”, declarou.

A condenação de Maxwell, de 60 anos, é inferior à pena de 30 a 55 anos pedida pela promotoria nova-iorquina.

O júri a considerou culpada em 29 de dezembro de cinco das seis acusações contra ela, incluindo a de tráfico sexual de menores para Epstein.

Para a acusação, a sua “responsabilidade” no tráfico e “a total falta de remorso” justificaram o pedido da pena longa para esta ‘jet setter’ internacional, formada em Oxford, que está presa nos Estados Unidos desde o verão de 2020.

Após a tentativa frustrada de invalidar o julgamento, sua defesa, liderada pela renomada criminalista Bobbi Sternheim, pediu clemência para sua cliente e uma sentença inferior a 20 anos.

No sábado, Sternheim denunciou à juíza responsável pelo caso, Alison Nathan, que Maxwell havia sido isolado em uma cela por risco de suicídio, “sem justificativa”, apesar de um exame psicológico posterior “determinar que não é suicida”.

Sua cliente, assegurou, não está autorizada a “possuir ou revisar documentos legais”, nem “papel ou caneta”, o que a “impediu de se preparar para a sentença”, o que justificaria um adiamento da decisão.

– “O erro de sua vida” –

A defesa de Maxwell considera que ela foi vítima da influência nefasta exercida tanto por seu pai – “autoritário, narcisista e exigente” – quanto por Epstein, quem conheceu após a morte em circunstâncias misteriosas de seu pai.

O relacionamento com o financista bilionário foi “o pior erro de sua vida”, afirmou a defesa.

Maxwell e Epstein foram um casal no início dos anos 1990, antes de se tornarem colaboradores profissionais e cúmplices em seus crimes sexuais por quase 30 anos.

Em seu julgamento, realizado em um tribunal de Manhattan no ano passado, Maxwell foi descrita como uma “predadora sofisticada” que agia conscientemente para atrair e seduzir jovens para o prazer de Epstein e seus amigos, incluindo o príncipe Andrew da Inglaterra, em suas residências na Flórida, Manhattan ou nas Ilhas Virgens.

As testemunhas “Jane”, “Kate”, “Carolyn” e Annie Farmer, a única que testemunhou sem pseudônimo, contaram suas vidas destruídas pelas relações sexuais forçadas que tiveram com Epstein quando tinham entre 14 e 17 anos, muitas vezes na presença de Maxwell.

– “Porta do inferno” –

Virginia Giuffre, uma das vítimas do casal Maxwell-Epstein que denunciou o príncipe Andrew por abuso sexual quando era menor de idade, divulgou na sexta-feira, segundo a rede Law&Crime Production, um comunicado no qual acusa Maxwell de ser quem a levou até seu agressor.

“Para mim, e para muitas outras, você abriu a porta do inferno. E então, Ghislaine, como um lobo em pele de cordeiro, usou sua feminilidade para nos trair e nos meteu nisso”, diz a publicação.

O príncipe Andrew da Inglaterra, amigo de Epstein, chegou a um acordo financeiro em fevereiro – no valor de 13 milhões de dólares, segundo a imprensa britânica – para encerrar um processo de abuso movido por Giuffre, que assegurou que Epstein e Maxwell a “emprestaram” para fazer sexo com o príncipe quando ainda era menor.

O julgamento de Maxwell seguiu a prisão de Epstein, em 6 de julho de 2019, por exploração sexual de menores e associação criminosa. Seu suicídio na prisão o salvou do julgamento, mas a promotoria prometeu investigar seus possíveis cúmplices.