Uma comissão independente designada pela reguladora da aviação americana detectou deficiências no sistema de gestão de segurança da fabricante Boeing, incluindo “procedimentos complexos” que causam “confusão” entre os funcionários, aponta um relatório divulgado nesta segunda-feira.

“Os procedimentos do Sistema de Gestão da Segurança (SMS) da Boeing não estão estruturados de forma que garantam que todos os funcionários compreendam seu papel no mesmo”, afirma o painel em seu relatório, de 50 páginas.

Os especialistas nomeados pela Administração Federal de Aviação (FAA) apontaram uma “desconexão” entre a alta direção da empresa e o restante dos funcionários, além de uma desconfiança de que as queixas dos trabalhadores sobre a segurança poderiam resultar em represálias.

“Os procedimentos e o treinamento são complexos e mudam constantemente, o que gera confusão entre os funcionários, principalmente entre diferentes locais de trabalho e grupos de empregados”, diz um resumo executivo.

Os especialistas realizaram suas investigações entre março de 2023 e fevereiro de 2024. Sua missão deriva de uma lei de 2020 aprovada pelo Congresso americano após dois acidentes envolvendo o modelo Boeing 737 MAX 8, em 2018 e 2019, que causaram 346 mortes.

As conclusões são divulgadas no momento em que a Boeing enfrenta um maior escrutínio, após o pouso de emergência, no mês passado, de uma aeronave da Alaska Airlines que perdeu uma janela durante o voo, o que causou a imobilização temporária de alguns Boeings 737 MAX 9.

O relatório divulgado hoje não inclui, no entanto, o incidente da Alaska Airlines, embora seu resumo faça referência a “problemas graves de qualidade” que surgiram durante a análise, que “amplificaram” as preocupações do painel.

A revisão identificou 27 pontos preocupantes e fez 53 recomendações, como padronizar a formação em segurança e aumentar a transparência no tratamento das queixas dos funcionários.

O relatório resumiu as iniciativas de segurança da Boeing após os acidentes fatais, como o portal “Speak Up”, um sistema digital para que os funcionários relatem suas preocupações de forma confidencial. Os empregados entrevistados disseram, no entanto, que desconfiam da garantia de anonimato.

A FAA informou que planeja realizar imediatamente uma revisão, para determinar os passos a seguir. Já a Boeing agradeceu aos especialistas e disse que vai “revisar cuidadosamente a avaliação do painel e aprender com suas conclusões”.