Os gastos militares globais alcançaram a marca de 2,9 trilhões de dólares (R$ 14,5 trilhões) em 2025, consolidando o 11º ano consecutivo de crescimento. Este aumento significativo reflete um cenário de multiplicação de conflitos e tensões internacionais, conforme detalhado em um relatório de referência publicado nesta segunda-feira (27) pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).
+ Gasto com defesa de membros europeus da Otan subiu quase 20% em 2025
O que aconteceu
- Os gastos militares globais atingiram 2,9 trilhões de dólares em 2025, marcando o 11º ano consecutivo de alta impulsionado por conflitos e tensões internacionais.
- Estados Unidos, China e Rússia responderam por pouco mais da metade do total, somando 1,48 trilhão de dólares, mesmo com uma ligeira redução no dispêndio americano.
- Europa e Ásia-Oceania lideraram o crescimento regional dos investimentos em defesa, compensando a queda dos EUA com aumentos significativos.
Os três maiores contribuintes para este montante foram Estados Unidos, China e Rússia, cujos orçamentos militares combinados somaram 1,48 trilhão de dólares (R$ 7,4 trilhões), o que representa pouco mais da metade do total global.
O aumento geral foi de 2,9% em comparação com o ano anterior. Curiosamente, este crescimento ocorreu apesar da diminuição dos gastos militares americanos, conforme apontado pelo relatório do Sipri.
Essa queda nos Estados Unidos foi amplamente compensada pelos aumentos observados na Europa e na Ásia. Lorenzo Scarazzato, especialista do Sipri, explicou à AFP que o ano foi marcado por novas guerras e pela intensificação das tensões geopolíticas, que impulsionaram o crescimento.
O “ônus militar”, que mede a proporção do Produto Interno Bruto (PIB) mundial destinada ao gasto com defesa, atingiu o nível mais alto desde 2009, evidenciando a crescente prioridade dada a este setor globalmente.
Europa e Ásia lideram a expansão dos orçamentos militares
Os Estados Unidos, por sua vez, gastaram 954 bilhões de dólares (R$ 4,7 trilhões), um valor 7,5% menor que em 2024. Essa redução se deve fundamentalmente à suspensão da ajuda militar à Ucrânia, um fator que impactou diretamente o orçamento de defesa norte-americano.
Contudo, o principal motor do crescimento global foi a Europa, que inclui a Rússia e a Ucrânia. Nesta região, os gastos foram 14% maiores, atingindo um total de 864 bilhões de dólares (R$ 4,3 trilhões).
“Isto se explica pela guerra em curso na Ucrânia e pela retirada dos Estados Unidos da Europa”, declarou Scarazzato. Segundo ele, os Estados Unidos “estão pressionando a Europa para assumir maior responsabilidade em sua própria defesa”, o que se reflete no aumento dos investimentos europeus.
A Alemanha, o quarto país do mundo em termos de gasto militar, elevou seu orçamento em 24% em 2025, chegando a 114 bilhões de dólares (R$ 570 bilhões). A Espanha também registrou um aumento considerável de 50%, atingindo 40,2 bilhões de dólares (R$ 201 bilhões) e superando, pela primeira vez desde 1994, a marca de 2% do seu PIB destinado à defesa.
O gasto da Rússia cresceu 5,9%, alcançando 190 bilhões de dólares (R$ 951 bilhões), o equivalente a 7,5% do PIB do país. A Ucrânia, em resposta à invasão, expandiu seus gastos em 20%, totalizando 84,1 bilhões de dólares (R$ 421 bilhões), o que representa impressionantes 40% de seu PIB.
Apesar das tensões persistentes no Oriente Médio, os gastos na região registraram um aumento modesto de apenas 0,1%, somando 218 bilhões de dólares (pouco mais de R$ 1 trilhão). Enquanto a maioria dos países da região aumentou seus gastos, Israel e Irã, notavelmente, os reduziram.
No Irã, a queda foi de 5,6%, para 7,4 bilhões de dólares (R$ 37 bilhões). No entanto, essa redução é explicada principalmente pela inflação anual elevada, de 42%, pois em termos nominais, o gasto realmente aumentou. No caso de Israel, a diminuição de 4,9%, para 48,3 bilhões de dólares (R$ 241 bilhões), deve-se ao arrefecimento da guerra em Gaza após um cessar-fogo com o Hamas. Os pesquisadores, contudo, ressaltam que os gastos israelenses continuam sendo 97% superiores aos de 2022.
Na região da Ásia-Oceania, o gasto totalizou 681 bilhões de dólares (R$ 3,41 trilhões), um aumento de 8,5% em relação a 2024, representando o maior crescimento anual desde 2009.
O “principal ator” na Ásia é a China, que aumentou seus gastos anualmente nas últimas três décadas e destinou aproximadamente 336 bilhões de dólares (R$ 1,68 trilhão) em 2025, destacou o pesquisador do Sipri. Ele acrescentou que “o verdadeiro interesse provavelmente reside na reação de outros países, como a Coreia do Sul, o Japão e Taiwan, diante da percepção de ameaça” imposta pela China.
Como a América do Sul se posiciona nos gastos militares globais?
O relatório do Sipri indica que o gasto militar na América Central e no Caribe caiu 27% em 2025, para 17,1 bilhões de dólares (R$ 85,6 bilhões), embora tenha “crescido 64% durante a década 2016-2025”.
“As tendências na sub-região estão fortemente influenciadas pelo gasto militar do México, que foi reduzido em um terço em 2025, para 13,6 bilhões de dólares [R$ 68 bilhões]”, detalha o relatório. Vale ressaltar que em 2024, o México havia, contudo, aumentado o seu investimento militar em 71%.
Por outro lado, na América do Sul, o gasto militar “ascendeu para 56,3 bilhões de dólares [R$ 282 bilhões] em 2025, um aumento de 3,4% em relação a 2024, e de 5,7% em comparação com 2016”.
O Brasil figura como o país sul-americano com maiores despesas em defesa, elevando suas despesas em 13% em 2025, para 23,9 bilhões de dólares (R$ 119,6 bilhões), segundo o relatório. A Guiana também viu seu gasto militar crescer 16%, para 248 milhões de dólares (R$ 1,24 bilhão) em 2025, “impulsionado pelas tensões crescentes com a Venezuela pela região petrolífera de Essequibo”.
Entre os 40 maiores gastadores em nível global, o Brasil aparece na 21ª colocação, com a Colômbia na 29ª posição e o México na 30ª.