A concentração dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global atingiu novos recordes em 2025, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas.
O levantamento mostra que os níveis de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) continuam aumentando na atmosfera, ampliando a quantidade de calor retida pelo planeta.
De acordo com a organização, a concentração média global de dióxido de carbono chegou a 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025, o maior nível registrado pela rede internacional de monitoramento.
O resultado representa um aumento de aproximadamente 53% em relação ao período pré-industrial, anterior a 1750.
A divulgação ocorre às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), prevista para novembro, na Turquia.
Dióxido de carbono alcança concentração histórica
O CO₂ é o principal gás de efeito estufa de longa duração associado às atividades humanas.
Sua concentração na atmosfera vem aumentando principalmente em razão da queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural.
O desmatamento e outras mudanças no uso da terra também contribuem para o problema.
Segundo a OMM, a concentração média de CO₂ aumentou 2,8 partes por milhão entre 2024 e 2025.
Embora o crescimento tenha sido menor do que o observado no período anterior, o avanço permanece elevado em comparação com a média das últimas décadas.
Desde os anos 1960, a velocidade de crescimento da concentração atmosférica de dióxido de carbono triplicou.
Metano e óxido nitroso também batem recordes
O relatório aponta que outros dois gases importantes para o aquecimento global também alcançaram concentrações inéditas.
O metano chegou a 1.948 partes por bilhão (ppb) em 2025, equivalente a aproximadamente 167% acima do nível pré-industrial.
Esse gás é liberado por atividades como a pecuária, o cultivo de arroz, a exploração de combustíveis fósseis e a decomposição de resíduos.
Já o óxido nitroso atingiu 339,1 partes por bilhão, cerca de 26% acima da concentração registrada antes da industrialização.
Entre suas fontes estão o uso de fertilizantes agrícolas, determinados processos industriais e a queima de biomassa.
Apesar de estarem presentes em quantidades menores do que o dióxido de carbono, esses gases possuem grande capacidade de contribuir para o aquecimento do planeta.
Por que o aumento preocupa os cientistas?
Os gases de efeito estufa absorvem parte da radiação térmica emitida pela superfície terrestre.
Esse processo ocorre naturalmente e é essencial para manter temperaturas compatíveis com a vida.
O problema surge quando a concentração desses gases aumenta de maneira acelerada, intensificando a retenção de calor.
Segundo a OMM, o acúmulo de gases na atmosfera contribui para elevar as temperaturas médias globais e aumentar os riscos associados a eventos climáticos extremos.
Entre os fenômenos relacionados ao aquecimento global estão ondas de calor mais intensas, chuvas extremas e alterações nos padrões de seca.
Os impactos variam conforme a região e também dependem de outros fatores climáticos.
Florestas e oceanos absorvem parte do carbono
A organização explica que aproximadamente metade do dióxido de carbono emitido anualmente pelas atividades humanas permanece na atmosfera.
A outra parte é absorvida por ecossistemas terrestres e pelos oceanos.
Esse processo ajuda a reduzir a velocidade do acúmulo de CO₂, mas não é suficiente para impedir o crescimento das concentrações.
Além disso, mudanças climáticas podem comprometer a capacidade de absorção desses sistemas naturais.
Períodos de seca intensa, incêndios florestais e alterações na temperatura dos oceanos podem reduzir a quantidade de carbono retirada da atmosfera.
El Niño influencia capacidade de absorção
A OMM aponta que a redução relativa no ritmo de crescimento do CO₂ em 2025 esteve associada, em parte, à recuperação da capacidade de absorção dos ecossistemas terrestres.
O comportamento ocorreu depois de condições climáticas desfavoráveis relacionadas ao fenômeno El Niño, que contribuíram para secas e incêndios em diferentes regiões.
Entretanto, a organização alerta que novos episódios de aquecimento das águas do Pacífico podem voltar a afetar essa capacidade de absorção.
A queima contínua de combustíveis fósseis permanece como um dos principais fatores responsáveis pelo aumento das concentrações atmosféricas.
COP31 terá desafio de transformar compromissos em ações
A divulgação do relatório acontece antes da COP31, marcada para ocorrer entre 9 e 20 de novembro, em Antalya, na Turquia.
O encontro reunirá representantes de diferentes países para discutir medidas de enfrentamento das mudanças climáticas.
Entre os principais desafios estão a redução das emissões de gases de efeito estufa, a transição energética e o financiamento de iniciativas de adaptação climática.
A OMM ressalta que o dióxido de carbono pode permanecer na atmosfera por períodos muito longos.
Isso significa que os efeitos das emissões atuais continuarão influenciando o clima durante décadas e até séculos.
O novo recorde reforça a necessidade de medidas capazes de limitar o acúmulo desses gases e reduzir os riscos associados ao aquecimento global.
Da IstoÉ