Comportamento

Gangues de Chicago disseminam violência via mídias sociais, diz estudo

Gangues de Chicago disseminam violência via mídias sociais, diz estudo

Policiais de Chicago reduziram a violência nas ruas, com um aumento do efetivo policial e o uso mais disseminado de tecnologia - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Arquivos

Interações através das mídias sociais desempenham um papel “significativo” na disseminação da violência em Chicago, a cidade americana com a taxa de homicídios mais alta do país, revelou um estudo publicado nesta terça-feira (12).

A Comissão do Crime de Chicago descobriu que muitos dos mais de cem mil membros de gangues desta cidade do meio-oeste americano se engajam regularmente na disseminação de insultos e autoelogios online, que rapidamente evoluem para violência nas ruas.

“Nossos dados mostram que uma quantidade significativa da violência induzida vem das mídias sociais”, disse à AFP Andrew Henning, do grupo de observação.

Ele comparou o fenômeno das mídias sociais ao grafite. O que antes podia ser um processo lento de disseminação da informação entre gangues foi incentivado pelo imediatismo das mídias sociais.

“Isso cria um conflito instantâneo”, disse Henning.

O relatório, compilado em um grosso volume intitulado “The Gang Book” (O livro das gangues, em tradução livre), deve ser disseminado em escolas e entre moradores da cidade, e oferece um olhar incomumente detalhado sobre a cultura das gangues de Chicago.

Membros de mais de 50 gangues ativas da cidade usam várias contas em mídias sociais – Facebook, Instagram, Twitter, aplicativos de mensagem e outros – para as tarefas diárias de proteção de territórios e venda de drogas, revelou o relatório.

Os membros das gangues usam mensagens de texto com emojis para receber encomendas de drogas e postam vídeos ao vivo para insultar rivais ou responder a insultos.

“Temos mortes ocorrendo, assassinatos acontecendo instantaneamente após a publicação de um vídeo”, disse Henning.

As descobertas do relatório confirmam o que a polícia local alerta há anos, com a escalada de assassinatos e ataques a tiros em Chicago e os casos de homicídio chegando a 750 em 2016, o mais elevado entre as cidades americanas.

A polícia de Chicago reduziu o banho de sangue nos dois últimos anos com um aumento do efetivo e a disseminação do uso da tecnologia, incluindo a análise de atividades em redes sociais de membros de gangues conhecidos.

Mas a comissão informou que a polícia e as cortes lutam para acompanhar a velocidade e as nuances das interações online.

Entre os desafios do cumprimento da lei está decifrar os autoelogios online de ameaças reais, disse a procuradora-geral assistente de Illinois, Shannon O’Brien.

“Tudo nas mídias sociais é liberdade de discurso”, afirmou. “Pode ser difícil fechar o cerco ao livre discurso e é preciso ter muita cautela com isso – não se quer ir longe demais com isso”.