Galisteu, Angélica e Claudia Raia ampliam debate sobre menopausa e terapias hormonais

Especialista analisa riscos, benefícios e alerta para uso sem acompanhamento

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Galisteu, Angélica e Claudia Raia expõem menopausa e uso de hormônios Foto: Reprodução/Redes Sociais

A menopausa deixou de ser um assunto restrito ao consultório médico e passou a ocupar espaço na televisão, nas redes sociais e nas conversas entre mulheres. Nos últimos anos, relatos de figuras públicas como Adriane Galisteu, Angélica e Claudia Raia ajudaram a ampliar o debate sobre o uso de terapias hormonais como forma de atravessar essa fase com mais disposição, energia e qualidade de vida.

A exposição, no entanto, vem acompanhada de um efeito colateral. A popularização do tema tem levado muitas mulheres a buscar soluções semelhantes às das celebridades, sem considerar as particularidades de cada organismo.

Para a médica Sarina Occhipinti*, o movimento tem impacto positivo, mas exige cautela. “Ajuda e atrapalha ao mesmo tempo. Quebrar o silêncio em torno da menopausa é avanço real. Durante décadas, as mulheres envelheceram em segredo, achando que estavam enlouquecendo sozinhas. Quando uma apresentadora de TV fala abertamente sobre reposição hormonal, ela autoriza milhões de mulheres a procurarem ajuda. Isso é inestimável.”

Segundo ela, o problema começa quando o relato deixa de ser inspiração e passa a ser interpretado como regra. “O problema é o que vem depois. A paciente sai do programa, chega no consultório e pede o protocolo da Galisteu, o implante da Claudia Raia, a fórmula da Angélica. E aqui mora o equívoco. Terapia hormonal não é roupa de prateleira.”

Na prática clínica, o que mais chama atenção é o tempo que muitas mulheres levam para procurar ajuda. “O que mais me marca é o tempo perdido. A maioria das mulheres chega ao consultório depois de anos sofrendo em silêncio”, afirma.

Ela relata que sintomas como cansaço constante, insônia, irritabilidade, queda de libido e ganho de peso são frequentemente normalizados. “A menopausa não é o fim da vitalidade feminina. É uma transição endócrina que pode e deve ser conduzida com ciência.”

O aumento do interesse por terapias hormonais também acompanha relatos de melhora em desempenho físico, humor e qualidade de vida. Ainda assim, a médica reforça que os resultados dependem de avaliação individual. “Quando a indicação é correta e a dose é individualizada, a melhora costuma ser consistente.”

Mas ela alerta para uma distorção comum. “Existe uma armadilha nos relatos de celebridades. A gente vê o ‘antes e depois’, mas não vê o que aconteceu nos bastidores. Cada mulher responde de forma diferente à mesma molécula.”

O tema ganha ainda mais repercussão com o uso de implantes hormonais, frequentemente citados por celebridades e influenciadoras, como Virginia Fonseca. Nesse ponto, a discussão se torna mais sensível.

“A diferença é mais profunda do que parece. Não é só ‘creme versus chip’. São filosofias terapêuticas distintas”, explica. Enquanto o gel permite ajustes ao longo do tratamento, o implante libera hormônios por meses, sem possibilidade de reversão imediata.

“O problema não é o implante existir, mas a forma como vem sendo usado no Brasil”, afirma. “Frequentemente com doses acima do fisiológico e sem possibilidade de retirada rápida se algo der errado.”

Outro ponto de atenção é o uso de substâncias como testosterona e gestrinona. Segundo a especialista, há indicação médica específica, mas o uso indiscriminado pode trazer riscos. “Testosterona em mulheres tem indicação bem delimitada. Não é tratamento para ganho de massa muscular ou estética.”

Ela também cita a gestrinona, que ganhou visibilidade recente. “Seu uso para fins estéticos ou de performance não tem aprovação da Anvisa e não possui estudos de segurança a longo prazo nessa via.”

Para a médica, a influência de figuras públicas pode acabar levando a decisões precipitadas. “Esse é hoje um dos maiores riscos da medicina hormonal no Brasil.”

Ela reforça que hormônios não devem ser tratados como tendência. “Hormônio é medicação séria. Pular a etapa de investigação não é praticidade. É risco.”

Diante do aumento da procura, a orientação é clara. O primeiro passo não é escolher um tratamento, mas entender o próprio corpo. “Em vez de perguntar ‘qual hormônio eu vou tomar?’, a pergunta certa é ‘o que está acontecendo no meu corpo?’.”

A especialista defende uma abordagem individualizada, baseada em investigação clínica e acompanhamento contínuo. “Longevidade feminina é o oposto de protocolo único. É medicina de precisão.”

Referências Bibliográficas

Sarina Occhipinti é médica especializada em Gerociência e Longevidade Abundante, com atuação voltada à saúde feminina, menopausa e equilíbrio hormonal. Defende uma abordagem individualizada focada em qualidade de vida, prevenção e envelhecimento saudável. CREMESP 278161 | RQE 35867 | RQE 14962.