As galáxias expulsam matéria para o seu entorno mais próximo na forma de ventos galácticos, aponta um estudo publicado nesta quarta-feira (6) por pesquisadores, que observaram pela primeira vez esse fenômeno em uma grande amostra de agrupamentos de estrelas.

Há dois anos, esse fenômeno foi observado pela primeira vez em uma galáxia, vista de perfil, graças ao instrumento Muse do telescópio europeu VLT, localizado no Chile. Da região central do seu disco, emergiam perpendicularmente dois cones de gás carregado de matéria: os ventos galácticos.

“Podemos, agora, generalizar essa observação em um grande número de estruturas”, declarou Nicolas Bouché, especialista do Centro de Pesquisa Astrofísica de Lyon, França.

O cientista, que também participou das observações de dois anos atrás, é um dos principais autores do estudo, publicado na “Nature”, o qual conclui que o fenômeno dos ventos galácticos parece “comum” em galáxias maciças.

Um conjunto de cientistas, principalmente de institutos europeus, estudou uma amostra de mais de 160 galáxias, vistas de perfil ou de frente, localizadas a mais de 7 bilhões de anos-luz.

O instrumento Muse, um espectrógrafo de campo integral, permite observar a marca de elementos químicos em nuvens de matéria extremamente difusas e de baixa densidade. Com um longo tempo de exposição do telescópio VLT na amostra de galáxias, o Muse permitiu desenhar a forma dos ventos que emergem, detectando o rastro de átomos de magnésio.

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– Explosões de grandes estrelas –

Esses ventos “resultam das explosões de supernovas, estrelas maciças que colapsam no fim de sua vida, a um ritmo de entre uma e dez por século, segundo o tipo de galáxia”, explicou Bouché à AFP. “Ao longo de milhões de anos, isso vai se somando, formando ventos galácticos.”

Tais ventos escapam da galáxia principalmente por sua região central, onde existe uma concentração maior de estrelas. Ricos em metais procedentes das supernovas, como o magnésio, eles desempenhariam um papel-chave na formação das estrelas dentro das galáxias.

“Poderiam levar a uma diminuição da formação de estrelas”, ao perturbar o ambiente em que isso acontece, indicou Bouché. Também regulariam a quantidade de matéria disponível para criar essas estrelas, uma vez que, “quanto mais matéria os ventos galácticos carregam, menos resta para a formação estelar”.

O fenômeno parece ocorrer nas galáxias mais comuns, da ordem de 10 bilhões de massas solares, inferior à da Via Láctea.

O próximo enigma a ser resolvido é determinar até onde vão esses ventos, que já foram detectados a distâncias de mais de 30.000 anos-luz. Eles teriam que ser comparados aos halos galácticos, compostos por uma galáxia e pela nuvem galáctica que a rodeia, conjuntos que podem atingir dez vezes essa distância.

Trata-se de “saber se esses ventos e a matéria que contêm voltarão a cair (na galáxia, pela atração gravitacional) ou se irão escapar para enriquecer o meio intergaláctico”, ressaltou Bouché. Isso em uma escala de tempo que poderia ser quantificada “em bilhões de anos”.


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