O ator e roteirista Gabriel Coppola embarca para a França rumo a um momento decisivo de sua trajetória artística. Ele participa pela primeira vez do Marché du Film, braço comercial do Festival de Cannes, onde apresenta ao mercado internacional o curta-metragem “Olhos em Mim”, projeto autoral ainda em fase de desenvolvimento.
A obra marca a incursão de Coppola no cinema independente também como idealizador. Em parceria com a produtora Bahaez, que assume o desenvolvimento do projeto, o artista inicia a expansão da narrativa no circuito internacional, mirando os principais festivais de 2026.
“Olhos em Mim” é um drama psicológico de atmosfera sensorial que investiga temas como identidade, desejo e repressão emocional. A proposta é conduzir o espectador por um mergulho íntimo nos conflitos internos de seus personagens. Além de Coppola no papel principal, o filme conta com o ator argentino Fran Vazquez no elenco.
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A narrativa se constrói como um estudo sobre autoaceitação e sobre os impactos emocionais de silenciar sentimentos para se adequar a padrões sociais. Nesse contexto, o projeto também se posiciona como uma obra de representatividade relevante para a comunidade LGBTQIA+.
A decisão de apresentar o curta ainda em desenvolvimento no Marché du Film é estratégica. Segundo Coppola, o objetivo é inserir o projeto desde cedo em diálogo com o mercado global, permitindo que ele amadureça a partir de novas conexões. Durante o evento, o foco estará na aproximação com diretores, na busca por financiamento internacional e na construção de parcerias com agentes de venda e distribuidores.
“Estrear no Marché du Film com ‘Olhos em Mim’ representa muito mais o início de um movimento do que um ponto de chegada. É um projeto que nasceu de um lugar muito íntimo, e levá-lo para um ambiente de indústria, mesmo em desenvolvimento, é começar a expandir esse universo para além de mim”, afirma o artista.
O desenvolvimento do filme tem sido conduzido pela Bahaez, produtora paulistana reconhecida pelo foco em narrativas queer e pela criação do Prisma Queer Award, dentro da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A parceria busca equilibrar a preservação da essência autoral do projeto com estratégias que ampliem seu alcance artístico e comercial.
Refletindo sobre sua primeira participação em Cannes, Coppola destaca o processo de maturação do curta, desenvolvido ao longo de mais de um ano. Para ele, o tempo foi essencial para consolidar a narrativa e fortalecer sua visão criativa.
Com formação na New York Film Academy e passagem pela série Além do Guarda-Roupa, da HBO Max, o artista vê o momento como um passo importante, mas ainda inicial.
“Olhar para esse momento agora me faz entender que cada etapa foi necessária. Ainda estou processando tudo, mas com mais clareza de que isso é só o começo”, conclui.