A atriz paranaense Gabi Spaciari, 34 anos, está completando 15 anos de carreira com muito a comemorar. Atualmente, ela pode ser vista interpretando Elke Maravilha ao lado de Leandro Hassum no longa “Silvio Santos Vem Aí” (2025), já disponível na Netflix, e nos filmes “O Armário Mágico” e “Um Caso de Outro Mundo”, que protagoniza ao lado de Glauce Graieb e Nívea Maria, na Prime Video.
Em meio à atuação, a artista se dedica ao trabalho de produtora. Entre seus projetos está o curta-metragem “Broken Hills” (2020), dirigido por Edmilson Filho. A obra, que ela escreveu e estrelou, venceu na categoria “International Shorts” (empate) no Los Angeles Brazilian Film Festival 2020, além de receber indicações de Melhor Atriz em festivais internacionais.
Atualmente, Gabi está em fase de pós-produção do documentário longa-metragem “Mom Street”, que dirigiu e produziu, abordando a comunidade de Skid Row, em Los Angeles, e possíveis soluções para a situação das pessoas em situação de rua.
Bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Gabi também atuou nos longas brasileiros “Love in Quarantine” e “Fora de Cena”. Ela ainda tem trabalhos na Espanha, nos Emirados Árabes e nos Estados Unidos, onde participou da série americana “The Bold and the Beautiful”, exibida pela CBS, e da peça “Paisaje Marino con Tiburones y Bailarina” – vencedora do Encore Award no Hollywood Fringe Festival (2018).
No currículo também constam campanhas para marcas nacionais e internacionais, como O Museu do Louvre, Warner Bros, Museu Sheik Zayed, e participações em videoclipes “Maresia”, do cantor português Gohu, e “One Last Time”, da cantora canadense Maggie Szabo.
Em bate-papo para IstoÉ Gente, a atriz e produtora falou sobre trajetória, carreira internacional, perspectiva de trabalho no Brasil.
Você vive Elke Maravilha no filme “Silvio Santos Vem Aí”, que saiu do cinema e está na Netflix. Qual a importância de ter feito esse trabalho? Como buscou referências para compor essa artista?
O filme conta a vida do Silvio, e a Elke foi um ícone que marcou essa geração. O trabalho de caracterização está impecável. Ela era um espetáculo vivo. Busquei reproduzir a cena que tínhamos de referência e observar as entrevistas, como reagia, e quais os pensamentos dela.
No seu currículo, tem trabalho numa série da TV americana e em outros países. O que percebe de diferente do Brasil no modelo de trabalho artístico pelo mundo?
O Brasil é um país muito criativo, porém ainda dependemos muito do financiamento público, principalmente em teatro e cinema. Acho que a maior indústria que consegue caminhar por si é a tv. Em países europeus a lógica segue a mesma, porém nos Estados Unidos o mercado se gere entre si, isso faz com que seja mais abrangente e democrático. E aí depois tem os fatores do conteúdo mesmo, porque cada país tem um público que consome de maneiras diferentes.
Você construiu uma carreira que atravessa Brasil, EUA, Emirados Árabes e Espanha. Como essa vivência internacional transformou seu olhar sobre a profissão de ator?
Acho que me fez ver que somos só uma peça num mundo gigante. Ao mesmo tempo, como pessoa, já vi desde teatro Balines até estar agora no meio de uma guerra acontecendo. Isso vai fazendo com que nosso artista mude também, não só os gostos, mas em termos de consciência e sobre o que queremos falar.
Hoje, vemos muitos artistas tentando carreira internacional. No entanto, você já tem trabalhos no exterior. Como aconteceu essa oportunidade? Sempre pensou em trabalhar fora?
Quando terminei a Artes Cênicas na Unicamp, fui aprovada num conservatório em Londres. Eu sempre quis passar um ano fora, pois sabia que seria enriquecedor, mas a vida lá fora foi acontecendo e não voltei. Acabei indo pra Los Angeles, estudei e os professores me incentivaram a continuar e pegar o visto de trabalho. Foi algo que começou do nada. Não sai do Brasil com projetos fora. E comecei a fazer cinema no Brasil ao longo dessa trajetória.
Sonha em fazer novelas no Brasil?
Adoraria… Séries também. Estar em um set por 8 meses seguidos é uma delícia.
Com filmes e artistas brasileiros ganhando cada vez mais visibilidade no exterior, você sente que o brasileiro passou a ser mais valorizado no mercado internacional?
Acho que o Brasil sempre exportou muito bem, principalmente sua música e seu futebol. Que bom que isso está acontecendo com o cinema! Nossa cultura tem muito a agregar ao mundo.
Em paralelo, você ainda trabalha como produtora de cinema, sempre focando em projetos pessoais que escreve e dirige. Como é assumir as rédeas da sua carreira?
Produzir surgiu da minha necessidade de falar sobre determinados assuntos, e eu sempre fui muito de fazer acontecer, eu comecei e recomecei minha vida em vários países. Acredito que isso me deu o know-how de tirar ideias do papel. Estou em pós-produção de “Mom Street”, um documentário gravado em Skid Row (EUA), onde um dos meus produtores executivos é Dale Bell, vencedor do Oscar com o documentário Woodstock.
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