Futebol feminino Brasil: Copa de 2027 impulsiona modalidade

Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, impulsiona debate sobre a modalidade e a luta por equidade no esporte

Imagem ilustrativa
Foto: Imagem ilustrativa

O Brasil se prepara para sediar, em junho de 2027, a primeira Copa do Mundo Feminina na América do Sul, um evento que reunirá 32 seleções em oito cidades brasileiras. A grandiosidade da competição reforça a importância do debate sobre o futebol feminino Brasil. Apesar da evolução notável da modalidade, desafios históricos e culturais ainda persistem, demandando superação contínua.

  • O futebol feminino Brasil alcança um novo patamar com a confirmação da Copa do Mundo de 2027, marcando uma era de maior visibilidade e oportunidades no país.
  • A modalidade evoluiu de um cenário onde jogadoras não tinham salários para um contexto com competições consolidadas e profissionalização em diversas áreas do esporte.
  • Apesar do progresso, o machismo e o preconceito ainda são obstáculos, evidenciando a necessidade de mais iniciativas de formação e espaços de prática para meninas e jovens atletas.

A modalidade passou por uma transformação significativa. A geração pioneira de jogadoras da seleção brasileira, que outrora recebia apenas ajuda de custo sem salários, abre caminho para um cenário atual com múltiplas competições nacionais e internacionais, incluindo categorias de base. Essa profissionalização permitiu que muitas mulheres trabalhassem exclusivamente no esporte, superando a necessidade de conciliar a paixão com outros empregos.

Apesar dos avanços, o futebol feminino ainda enfrenta o machismo e o preconceito enraizados na sociedade. A escassez de competições de várzea e de espaços exclusivos para a formação de jovens atletas femininas demonstra que as iniciativas de apoio ainda são pontuais e insuficientes.

Na mesma semana em que o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino celebra mais uma campeã, com torcidas engajadas lotando estádios, é crucial relembrar o passado restritivo. Entre os anos de 1940 e meados de 1980, no Brasil, a lei proibia mulheres de praticar futebol, sob a falsa alegação de que isso prejudicaria sua saúde física.

Legado e superação: De pioneiras a profissionais

Apesar das resistências persistentes, muitas vezes originárias das próprias famílias e da sociedade, é animador observar que hoje meninas e jovens adultas podem sonhar com uma carreira no esporte. Muitas desejam apenas jogar, seja por amor ou diversão, em qualquer fase da vida, algo impensável há poucas décadas.

É igualmente importante reconhecer e reverenciar a geração de pioneiras que pavimentaram este caminho. Elas são a prova do potencial ainda inexplorado da modalidade, com algumas continuando a atuar ativamente no desenvolvimento do futebol feminino mesmo após aposentarem-se dos campos.

Márcia Honório, precursora da seleção brasileira e integrante da primeira equipe a representar o Brasil em uma Copa do Mundo, descreve a emoção de sua convocação: “Quando você pega um telegrama daquele e se vê convocada, e quando está fora do seu país e ouve o Hino Nacional, é emocionante até hoje. A gente gostava e tinha garra, uma vontade de querer ganhar para chegar ao país e falar assim: “ó, agora vocês precisam ajudar o futebol feminino””.

Qual o papel do coletivo na evolução do esporte?

Para entender a profundidade da modalidade, a equipe do Caminhos da Reportagem conversou com especialistas, atletas, ex-atletas, gestoras, jogadoras de várzea, empreendedoras e mulheres de todas as idades que vivem o futebol intensamente. Elas compartilham suas perspectivas sobre o cenário atual, os desafios vencidos e as expectativas para o futuro das próximas gerações.

A ex-jogadora Formiga (Miraíldes Maciel Mota), recordista em atuações pela seleção brasileira em Copas do Mundo, destaca a importância do pertencimento e da identificação dentro da modalidade. “Eu passei de Miraíldes, a Mira, da família e dos amigos, para Formiga. E só aí vim entender que não só a Miraíldes jogava futebol, existiam outras mulheres que também passaram o mesmo ou pior, que eu não era a única mulher estranha no mundo. Até então eu me achava um ser humano estranho, por ser a única menina ali que jogava realmente futebol no meio dos meninos”, relata.

A jornalista Milly Lacombe ressalta a força da união feminina no esporte: “Eu acho que a principal mudança é a ideia de que juntas, conseguimos coisas, sozinha ninguém consegue nada. Então, a ideia de que a luta pela emancipação feminina não se separa da luta pelo futebol feminino. Eu diria que essa consciência de que a gente é classe, é um grupo, de que vamos juntas. Eu acho isso muito bonito no futebol feminino, que tem uma história de amor que o masculino não tem”, salienta.

Otimismo e perspectivas para o futuro

Há um clima de otimismo e um espaço crescente para o futebol feminino, impulsionado pela futura Copa no Brasil. As entrevistadas vislumbram um futuro com maior desenvolvimento para a modalidade. Lu Leal, treinadora de equipes de várzea, expressa seu desejo para as próximas gerações: “Meu maior sonho é ver as atletas que estão batalhando alcançar o objetivo chegar, ganhar e ter oportunidades. É o que elas merecem.”

O programa Caminhos da Reportagem, com o título “Elas em campo: futebol, paixão e resiliência”, foi exibido nesta quinta-feira (5), às 23h, na TV Brasil. A emissora planeja retomar o tema no próximo mês, com um novo programa focado nas condições e oportunidades de carreira para jovens mulheres no futebol feminino.