Furto de obras de Antonello da Messina choca Itália

Crime de grande vulto expõe fragilidades na proteção do patrimônio cultural italiano durante feriado de Ferragosto

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Foto: Imagem ilustrativa

Uma quadrilha composta por pelo menos quatro assaltantes furtou obras-primas do artista renascentista Antonello da Messina (1430-1479) de um museu na Sicília, sul da Itália. O crime ocorreu na noite de 15 de agosto, em pleno Ferragosto, principal feriado de verão, no Museu Regional Accascina Messina (MuMe).

  • O furto de obras de Antonello da Messina ocorreu no Museu Regional Accascina Messina (MuMe), na Sicília, em 15 de agosto.
  • A quadrilha levou cinco painéis do “Políptico de São Gregório” e uma pintura dupla face, mas abandonou dois painéis na fuga.
  • A falta de segurança e a distração da polícia com uma procissão facilitaram a ação dos criminosos.

Os bandidos levaram os cinco painéis do “Políptico de São Gregório”, uma têmpera sobre madeira pintada em 1473, e uma pintura dupla face. Esta última retrata a Virgem com o Menino Jesus e um franciscano em adoração de um lado e a piedade de Cristo do outro, e estava protegida por um vidro blindado.

Durante a fuga, os assaltantes abandonaram dois dos cinco painéis do políptico (tipo de retábulo dividido em várias partes) em uma mureta do lado de fora do MuMe. As obras foram encontradas por volta das 21h (horário local) de sábado (15) por uma família, que prontamente chamou a polícia.

Foi somente neste momento que as autoridades se deram conta do furto. Isso ocorreu apesar de vigilantes do turno das 19h30 às 7h30 estarem presentes no museu naquele momento.

Como os criminosos agiram no museu?

De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (17), dois bandidos invadiram o MuMe e foram direto para a sala que abrigava as obras de Antonello da Messina. Outros dois aguardavam do lado de fora, e todos estavam com capacetes de motociclista e camisetas pretas.

Os investigadores apuram se o crime teve a participação de funcionários do museu, mas também se concentram nas supostas falhas de segurança. Estas falhas teriam permitido que os ladrões agissem em cerca de dois minutos.

Protestos e falhas de segurança

A quadrilha aproveitou-se de uma popular procissão dedicada ao dogma da Assunção de Maria, celebrado justamente em 15 de agosto. Este evento religioso serviu de distração para a polícia, facilitando a concretização do assalto.

Cerca de 50 pessoas se reuniram na orla de Messina nesta segunda-feira para protestar contra a falta de segurança no principal museu da cidade. “Lamentamos profundamente pelo ocorrido. O dano sofrido não diz respeito somente ao nosso município, já que a arte é patrimônio de todos”, declarou o quadrinista Lelio Bonaccorso, idealizador da manifestação.

Da IstoÉ com ANSA.