Furto de obras-primas em museu na Itália ocorreu em cerca de 3 minutos

Criminosos driblaram sistemas de segurança do MuMe e agiram rapidamente para subtrair quatro obras-primas do artista renascentista

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Foto: Imagem ilustrativa

PALERMO, ITÁLIA — Uma quadrilha furtou quatro obras-primas do renomado artista renascentista Antonello da Messina do Museu Regional Interdisciplinar de Messina (MuMe), na Sicília, em uma ação que durou entre dois e três minutos. As imagens das câmeras de segurança do museu revelam a agilidade dos criminosos, que invadiram o local na noite de sábado (15), feriado de Ferragosto na Itália.

  • O furto de obras de arte de Antonello da Messina no MuMe, na Sicília, foi realizado por uma quadrilha em apenas dois a três minutos.
  • Os criminosos acessaram diretamente as salas onde estavam os painéis após driblar os sistemas de segurança do museu.
  • Entre as peças levadas estão três painéis do “Políptico de São Gregorio” e a obra de dupla face “Pietá”, extraída de uma vitrine reforçada.

O material, obtido pela agência ANSA, mostra que os ladrões se dirigiram imediatamente às salas onde os painéis estavam guardados, logo após conseguirem desativar os sistemas de segurança e entrar no MuMe. O crime ocorreu durante o feriado nacional de Ferragosto, o que pode ter facilitado a ação.

Em nota divulgada no domingo (16), Antonio D”Amato, procurador-chefe de Messina, informou que o caso está sendo investigado como furto qualificado de obras de arte. A rápida e precisa atuação dos criminosos sugere um planejamento meticuloso.

Detalhes do crime e obras furtadas

Os ladrões subtraíram três dos cinco painéis que compõem o renomado “Políptico de São Gregorio”. Além disso, levaram o painel de dupla face “Pietá”, que foi removido diretamente de uma vitrine reforçada, indicando conhecimento prévio da localização e proteção das peças.

“Durante a fuga, os criminosos abandonaram os dois painéis restantes do “Políptico” perto da cerca perimetral do museu”, relatou D”Amato, o que pode indicar pressa ou a intenção de focar em peças específicas de maior valor ou facilidade de transporte.

O Conselho Regional de Patrimônio Cultural e Ambiental expressou “profunda consternação com o furto extremamente grave ocorrido no MuMe”. A entidade ressaltou que a “prioridade absoluta neste momento é apoiar o trabalho das forças de segurança e dos investigadores, para que as obras de arte furtadas possam ser recuperadas e devolvidas à comunidade o mais breve possível”.

Qual o valor das obras de Antonello da Messina?

O “Políptico de São Gregorio” foi encomendado a Antonello da Messina por Fabria Cirino, abadessa do mosteiro de Santa Maria Extra Moenia. Originalmente, a obra consistia em seis painéis, retratando a Virgem Maria com o Menino Jesus, anjos, São Gregório e São Bento, além do Anjo e da Virgem da Anunciação. O painel central do nível superior, que provavelmente retratava Cristo morto sustentado por anjos, já havia sido perdido.

Já o painel de dupla face “Pietá” traz na parte frontal a Virgem Maria com o Menino abençoando, e um frade franciscano em adoração. No verso, apresenta a “Pietá” (Cristo como o Homem das Dores). A obra foi atribuída a Antonello da Messina em 2003 e vendida, no mesmo ano, pela Christie”s para a região da Sicília, após ter integrado a coleção do alemão Wilhelm Soldan desde 1930.

O MuMe, inaugurado em seu amplo e novo complexo em junho de 2017, leva o nome de Maria Accascina, importante figura da história da arte siciliana e diretora do Instituto de 1949 a 1963. A instituição é mundialmente conhecida por abrigar obras-primas de Antonello da Messina (1430-1479) e de Caravaggio (1571-1610), além de narrar a história e a cultura artística de Messina desde seu povoamento pré-histórico.

Da IstoÉ com ANSA