Mais de 20 cepas de vírus foram levadas em furto na Unicamp; veja quais

Amostras de dengue, zika e coronavírus foram retiradas de área de alta segurança; pesquisadora e marido são os principais suspeitos

Mais de 20 cepas de vírus foram levadas em furto na Unicamp; veja quais

A Polícia Federal (PF) conduz investigação sobre o furto e transporte irregular de ao menos 24 cepas de vírus de um laboratório de alta contenção biológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O material, que inclui variantes da dengue, chikungunya, zika, herpes e coronavírus humano, foi subtraído de uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3) em fevereiro.

A principal investigada é a pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). Presa em flagrante pela PF na segunda-feira, 23, ela obteve liberdade provisória um dia após o cumprimento do mandado, mediante medidas cautelares. O marido de Soledad, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller, também é alvo do inquérito por suposta participação no crime.

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Dinâmica do desvio e localização do material

O desaparecimento das amostras foi detectado em 13 de fevereiro por uma pesquisadora do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia (IB). Segundo documentos da Justiça Federal, as caixas com material biológico foram removidas de área submetida a rígidos protocolos de segurança. Imagens de câmeras de monitoramento registraram Michael Miller deixando o local com caixas no fim de fevereiro.

Após acionamento da PF e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os agentes localizaram o material em diferentes unidades da universidade, incluindo o Laboratório de Doenças Tropicais e o de Cultura de Células. De acordo com a investigação, parte das amostras estava em freezers, enquanto outra parcela havia sido descartada em lixeiras comuns após manipulação inadequada.

Riscos e protocolos de biossegurança

O laboratório em questão opera no nível NB-3, classificação destinada a agentes patogênicos que podem causar doenças graves ou letais, com transmissão via aérea. A PF apura se houve produção ou transporte irregular de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) em desacordo com as normas da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Enquadramento legal e posicionamentos

Os investigados devem responder, conforme suas responsabilidades, pelos crimes de:

  • Furto qualificado e fraude processual;

  • Perigo para a vida ou saúde;

  • Transporte irregular de organismo geneticamente modificado.

Em nota, a reitoria da Unicamp informou que colabora com o inquérito e instaurou sindicância interna, classificando o episódio como um “caso isolado”. A defesa de Soledad Palameta Miller afirmou que não se pronunciará devido ao sigilo processual decretado pela 9.ª Vara Federal de Campinas. A reportagem não localizou a defesa de Michael Miller.