Funeral de fundador da Liga é marcado por protestos contra Salvini e Meloni

MILÃO, 22 MAR (ANSA) – Centenas de apoiadores do partido italiano ultranacionalista Liga se despediram neste domingo (22) de seu fundador, Umberto Bossi, falecido aos 84 anos em 19 de março.   

O funeral ocorreu na cidade de Pontida, Lombardia, e contou com a presença do vice-premiê e atual líder da Liga, Matteo Salvini, além da primeira-ministra Giorgia Meloni.   

No entanto, em meio às cores verde e branca do partido e aos aplausos dos presentes que saudaram a passagem do caixão com gritos de “Bossi, Bossi!”, também houve protestos contra o governo italiano.   

“Você envergonha a camisa verde”, gritaram alguns manifestantes do partido Popular do Norte, de centro-direita, a Salvini, que compareceu ao funeral vestido com as cores da Liga.   

Ao cumprimentar a viúva de Bossi, Manuela Marrone, com um beijo, a multidão afirmou: “Traidor, é o beijo de Judas”.   

Meloni também foi alvo de protestos, mas vindos de militantes da Liga que a esperavam na entrada da Abadia de San Giacomo Maggiore, onde ocorreu a cerimônia de despedida de Bossi.   

“Secessão, secessão!”, exigiram os ativistas à premiê no mesmo dia em que a Itália abriu as urnas para o referendo que propõe uma reforma no Judiciário proposta por Meloni, que já revelou não pretender renunciar caso o “não” vença.   

A rixa entre apoiadores dos dois partidos prosseguiu e quando manifestantes da Liga fizeram coro para “queimar o tricolor [partido Popular do Norte]”, o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, pegou o microfone para pedir “gentilmente” aos militantes que interrompessem o protesto e deixassem o padre terminar de pronunciar as palavras para “o repouso eterno”.   

O debate em torno da liderança de Salvini na Liga se desenrola há anos e tem como uma de suas principais críticas um suposto abandono da batalha pela autonomia do norte italiano em favor de uma causa nacional.   

Nas redes sociais, o vice-premiê deixou sua mensagem a Bossi.   

“Há 30 anos, como hoje, uma batalha que não era apenas sobre política, mas sobre identidade, visão, pessoas, destino.   

Liberdade, autonomia, território, trabalho, sacrifício, responsabilidade, justiça, segurança”, escreveu Salvini.   

“Em quatro palavras: senhores em nossa própria casa. Muitas vezes, como agora, sozinhos contra todos. Esta é a Liga, uma comunidade em movimento. Boa viagem, Umberto, tudo começou com você”, acrescentou. (ANSA).