Funeral de criança que recebeu coração danificado causa comoção na Itália

NOLA, 4 MAR (ANSA) – Milhares de pessoas e autoridades italianas, incluindo a primeira-ministra Giorgia Meloni, compareceram em Nola, perto de Nápoles, ao funeral de uma criança de dois anos que morreu em um hospital, dois meses após receber um transplante de coração danificado, em um caso que comoveu a nação.   

Diversas mães, acompanhadas de seus filhos, participaram da cerimônia carregando flores brancas e vestindo camisetas com a foto do menino e os dizeres “nosso guerreiro”.   

“Domenico se tornou um filho para todos nós. As crianças são parte dos nossos corações, e nossos corações estão despedaçados por esta tragédia”, disse o bispo de Nola, Francesco Marino, durante a homilia no funeral do pequeno Domenico Caliendo.   

Patrizia, mãe da criança que morreu em um hospital napolitano após vários meses convivendo com um coração danificado implantado, afirmou que “nem mesmo a língua italiana consegue expressar a dor de quem perde um filho”. Já o prefeito de Nápoles, Gaetano Manfredi, declarou que “haverá tempo para apurar os fatos”, pois o momento é de demonstrar proximidade e solidariedade aos familiares do menino.   

O vencedor da mais recente edição do Festival de Sanremo, o cantor napolitano Sal Da Vinci, adiou as comemorações de sua vitória, afirmando que “Domenico vem em primeiro lugar”.   

Com a voz embargada pela emoção, ao final da cerimônia religiosa, a mãe agradeceu a Meloni “pela proximidade”, assim como a todas as autoridades civis e religiosas presentes em Nola.   

Enquanto o caixão era levado de volta à praça, a caminho do cemitério, uma longa salva de palmas ecoou, e centenas de balões brancos foram soltos no céu. Para se despedir da criança, a multidão cantou “Guerriero”, de Marco Mengoni, em homenagem ao “pequeno guerreiro” ? expressão que Patrizia usava para se referir ao filho e que também tem tatuada no pulso.   

O Ministério Público de Nápoles investiga o caso por suspeita de negligência médica, especialmente em relação à forma como o coração foi transportado de Bolzano para Nápoles. (ANSA).