A iniciadora do movimento #MeToo na França, Sandra Muller, foi condenada nesta quarta-feira (25) por difamar o homem que ela acusou de assédio sexual.
O tribunal de Paris condenou Sandra a pagar 15.000 euros (cerca de US$ 16.500) em danos e prejuízos por difamação moral, de acordo com a decisão consultada pela AFP.
A jornalista da “Lettre de L’Audiovisuel”, uma das “quebradoras do silêncio” designada pela revista Time como “Personalidades do ano 2017”, também foi condenada a pagar ao autor da ação 5.000 euros em custos judiciais, a remover o tuíte injurioso e publicar comunicados judiciais em sua conta do Twitter e em dois órgãos da imprensa.
Seu advogado, Francis Szpiner, disse que pretende recorrer, denunciando “um retrocesso”.
O autor da ação, Eric Brion, “acolhe a decisão com certo alívio; ele sempre repetiu que nunca assediou Sandra Muller”, respondeu seu advogado Nicolas Benoit à AFP.
Em 13 de outubro de 2017, Sandra Muller tuitou a seguinte mensagem: “#balancetonporc !! você também conte e dê o nome e os detalhes de um assédio sexual que você viveu no trabalho. Espero vocês”.
A mensagem foi seguida quatro horas depois por um segundo tuíte: “+ Você tem seios grandes. Você é meu tipo de mulher. Eu vou fazer você gozar a noite toda + Eric Brion, ex-chefe da Equidia #balancetonporc”.
Esses comentários, retuitados mais de 2.500 vezes, foram feitos em uma noite em Cannes, em 2012, à margem do Mercado Internacional de Programas de Televisão, onde ambos estavam trabalhando.
A palavra de milhares de mulheres denunciando assédio ou agressão sexual foi libertada através da hashtag #balancetonporc, que rapidamente se tornou viral na França e, sob o equivalente em inglês #MeToo, lançado pela atriz Alyssa Milano.
Brion, consultor e ex-CEO do canal de televisão Equidia, processou Sandra Muller por difamação pelo tuíte.