Funcionários leigos do Vaticano pedem compensação salarial

ADVL solicita ao papa Leão XIV que considere formas de ressarcimento por aumentos suspensos na pandemia

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Durante visita ao Vaticano, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, presenteou o papa Leão XIV com uma camisa do Palmeiras e uma raquete da tenista Bia Haddad Foto: Reprodução/Instagram

Funcionários leigos do Vaticano solicitam ao papa Leão XIV que considere formas de compensação. A Associação dos Funcionários Leigos do Vaticano (ADVL) busca ressarcimento pelos aumentos salariais bienais por tempo de serviço, suspensos durante as medidas de contenção da pandemia de Covid-19. O pedido ocorre após o pontífice restaurar a remuneração integral de cardeais e dirigentes da Cúria Romana.

  • Funcionários leigos do Vaticano pedem compensação por aumentos salariais suspensos na pandemia.
  • A solicitação surge após o papa Leão XIV restaurar a remuneração integral de cardeais e da Cúria Romana.
  • A ADVL critica a ausência de consulta prévia nas decisões salariais e busca diálogo construtivo com a Santa Sé.

Segundo a associação, o Motu Proprio determina a revogação, a partir de 1º de setembro de 2026, das medidas de contenção salarial adotadas durante a emergência sanitária, mas mantém os efeitos produzidos enquanto elas estiveram em vigor. Entre esses efeitos está a suspensão do acúmulo dos aumentos salariais bienais por tempo de serviço. Para os funcionários leigos, a revogação das medidas não prevê o pagamento retroativo dos valores que deixaram de ser incorporados aos salários nem estabelece uma compensação específica pelas perdas.

Por causa disso, a associação questiona se o Vaticano poderia adotar uma solução alternativa. “Se o reembolso integral dos valores deduzidos dos salários não for viável, a Santa Sé poderia considerar formas de reconhecimento único ou medidas compensatórias”, como neutralizar o impacto da suspensão sobre verbas rescisórias e pensões dos funcionários.

Por que a suspensão dos reajustes é questionada?

Em comunicado, os funcionários também criticaram a ausência de uma consulta considerada genuína antes da adoção das novas medidas. A associação afirma ainda que pretende contribuir para uma “nova era de diálogo sincero e construtivo” com as autoridades da Santa Sé e do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano.

A entidade recordou que, durante a emergência sanitária, na gestão do papa Francisco, decisões sobre salários foram tomadas rapidamente e, segundo os trabalhadores, sem comunicação prévia adequada. Na ocasião, a associação enviou uma carta ao pontífice argentino alertando para os efeitos da suspensão dos aumentos por tempo de serviço sobre pensões e indenizações rescisórias.

Segundo a ADVL, essas perdas poderiam representar vários milhares de euros para alguns funcionários.

Impacto das medidas e a busca por dignidade

Durante a emergência, superiores do Vaticano argumentaram que as medidas contribuíram para evitar demissões. A associação reconhece que esse objetivo era compreensível diante das circunstâncias excepcionais, mas ressalta que a natureza específica da cidade-Estado não permite aplicar automaticamente à administração pública uma lógica semelhante à de uma empresa privada.

“Mesmo medidas adotadas em tempos de particular dificuldade devem sempre vir acompanhadas do devido respeito pela dignidade humana e pela sustentabilidade das consequências para as famílias”, afirma a entidade. Da IstoÉ com ANSA.