Uma funcionária da equipe do Palácio de Buckingham foi demita após ser racista com uma convidada do evento promovido pela rainha consorte, Camilla Parker-Bowles, sobre violência contra mulheres. Segundo a LBC, Ngozi Fulani, que é CEO da Charity Sistah Space, um grupo de apoio às mulheres da África e do Caribe que sofrem violência doméstica e abusos sexuais, disse que ficou traumatizada e se sentiu constrangida ao ser convidada a participar do evento e depois insultada.
Ngozi afirmou que a mulher, staff do Palácio de Buckingham, responsável pela organização do evento, inicialmente mexeu em seu cabelo – sem autorização – para verificar o seu nome na etiqueta de inscrição. Na sequência, teria começado a fazer questionamentos sobre sua ancestralidade, por conta de ela ser preta, o que a deixou “em choque”.
“Dez minutos depois de eu chegar, um membro do staff me abortou, moveu meu cabelo para ver meu nome na etiqueta”, disse ela, contando depois sobre a sequência da conversa, afirmando que foi questionada sobre a sua ancestralidade racial. Mesmo com ela explicando que era CEO da Sistah Space, foi perguntada: “De onde você é?”.
Fulani, então, respondeu: “Nós temos base em Hackney”. Não contente, a pessoa insistiu: “Não, de qual parte da África você vem?”. A CEO replicou: “Eu não sei, ninguém deixou qualquer registro”. E o dialogo continuou da seguinte forma abaixo:
Membro do Palácio: “Bem, você deve saber de onde você vem. Eu passei um tempo na França, De onde você vem?”
Ngozi Fulani: “Daqui, do Reino Unido”.
Membro do Palácio: Não, mas qual é a sua nacionalidade?”
Ngozi Fulani: “Eu nasci aqui, e sou Britânica”.
Membro do Palácio: Não, mas de onde você realmente vem, de onde o seu povo vem?”
Ngozi Fulani: “‘Meu povo’, moça o que é isso?”
Membro do Palácio: “Oh, vejo que vai ser um desafio tentar tirar de você de onde você é. Quando você veio aqui pela primeira vez?”
Ngozi Fulani: “Moça! Eu sou cidadã britânica, meus pais vieram para cá nos anos 50, quando…”
Membro do Palácio: “Oh, eu sabia que chegaríamos no final, você é caribenha!”
Ngozi Fulani: “Não, moça, eu sou descendente de caribenhos, tenho heranças africanas e nacionalidade britânica.
Após o diálogo constrangedor, Ngozi Fulani ficou em choque com os questionamentos, que foram ouvidos por outras duas mulheres. “Ficamos temporariamente em silêncio. Depois, fiquei na beira da sala, sorri e conversei brevemente com [sic] quem falou comigo até que eu pudesse sair. Acho que é essencial reconhecer que o trauma ocorreu e ser convidado e depois insultado causou muitos danos. Foi uma grande luta permanecer em um espaço em que você foi violado. Ontem me fez perceber uma verdade feia que ainda estou tentando processar”, lamentou ela.
Após repercussão do caso, o Palácio de Buckingham disse em um comunicado: “‘Levamos este incidente extremamente a sério e investigamos imediatamente para estabelecer todos os detalhes. Neste caso, comentários inaceitáveis e profundamente lamentáveis foram feitos. Entramos em contato com Ngozi Fulani sobre este assunto e a convidamos a discutir pessoalmente todos os elementos de sua experiência, se ela desejar. Enquanto isso, o indivíduo em questão gostaria de expressar suas profundas desculpas pela dor causada e se afastou de seu cargo honorário com efeito imediato. Todos os membros da família estão sendo lembrados das políticas de diversidade e inclusão que devem manter o tempo todo”.
Mandu Reid, líder do Partido da Igualdade das Mulheres, que estava ao lado de Fulani e testemunhou a troca, disse à agência de notícias PA que elas foram tratadas quase como “intrusas”. “Nós realmente sentimos como: ‘Não estamos sendo tratadas como se pertencêssemos, não estamos sendo abraçadas como se fôssemos britânicas”, disse, descrevendo o diálogo como “interrogativo”. “Ela foi muito persistente, não aceitou as respostas de Ngozi”.
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