Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

O setor de saúde é um dos mais movimentados no que diz respeito a oportunidades de emprego. Esse fato ocorre tanto internamente quanto no exterior. Médicos de todas as especialidades, enfermeiros que atendem nas diversas áreas hospitalares, dentistas e outros profissionais são sempre bem valorizados no mercado. E ao pensar em chances internacionais, os Estados Unidos historicamente são um dos países que mais absorvem trabalhadores de todos os ramos de atuação e de muitas nacionalidades. Agora, sobretudo, o foco está nos trabalhadores da saúde. Há atualmente cerca de 300 mil postos de trabalho na área a serem preenchidos. O próprio governo norte-americano divulgou que precisa, ainda em 2022, de mais de 16 mil trabalhadores de cuidado primário (médicos e enfermeiros), 11 mil novos dentistas e 7 mil profissionais da área da saúde mental para reduzir a falta de mão de obra especializada. Essa situação de mercado está atraindo cada vez mais profissionais estrangeiros, inclusive brasileiros, causando por aqui uma espécie de fuga dos jalecos, dada a maneira de se vestir dos médicos.

“Aqui nos Estados Unidos trabalho como pesquisadora enquanto não consigo validar meu diploma” Paula de Souza França, médica que trabalha em Nova York (Crédito:Divulgação)

Pelo lado dos trabalhadores, há inúmeros fatores que induzem positivamente o indivíduo a se lançar na aventura. Primeiro, a possibilidade de experimentar viver em outra nação com muitas diferenças do Brasil, a começar pelo clima. Depois vem a necessidade de se dedicar arduamente para ter boa desenvoltura com a língua, o que melhora muito a convivência com os nativos. Por último, o desafio de se enquadrar às exigências feitas pelas autoridades no que se refere à apresentação e verificação dos documentos. “Ainda estamos em fase de reconhecimento e adaptação, o fuso horário é de quatro horas e a cidade tem um verão rigoroso, durante o dia pode fazer mais de 40°C”, conta Mariana Mafre Sarmento, de 31 anos, enfermeira, especialista em obstetrícia.

Ela e o marido, Guilherme Mafra, engenheiro agrônomo, chegaram à cidade de Yuma, no Arizona, para morar de forma definitiva, em 16 de julho. A intermediação que tornou a empreitada possível foi realizada pela empresa em que ele atua. “Essa é a parte mais difícil, mas no nosso caso não demorou”, diz Mariana. Realmente. O casal começou a juntar a documentação em meados do de janeiro. Em casos particulares, ou seja, sem a essencial ajuda empresarial, o tempo máximo de espera para se conseguir uma autorização de entrada em território norte-americano pode chegar a três anos.

“É o visto que permite ao estrangeiro com uma carreira sólida adquirir um trabalho nos EUA e viver com sua família no país”, afirma Leonardo Leão, CEO e consultor de imigração e negócios internacionais da Leão Group. Ele explica que há muitos tipos de vistos para quem quer laborar nos Estados Unidos. “Cada categoria de visto traz diferentes exigências, mas todas esperam que o imigrante comprove interesse e condições de contribuir com a sociedade”, pontua. Após se estabelecer, Mariana, que já obteve o reconhecimento de sua formação acadêmica e do currículo profissional, vai passar pela avaliação do Board of Nursing, o conselho de enfermagem norte-americano, e, assim, poder atuar.

Segundo o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), em São Paulo há o registro de 271 pedidos de certidões para que eles pudessem realizar os procedimentos de validação nos EUA, entre 2021 e 2022. No caso da enfermagem a remuneração chega a ser o triplo do que se ganha no Brasil. O aquecimento do setor de saúde pode ser visto pelo que divulgou a Associação Americana de Hospitais. Segundo a entidade, os EUA enfrentam uma escassez de 124.000 médicos, e, até 2033, precisarão contratar 200.000 novos enfermeiros para atender ao aumento da demanda.

“Conseguimos regularizar nossa documentação rapidamente e estamos em fase de adaptação e reconhecimento” Mariana Sarmento, enfermeira que acaba de conseguir emprego no Arizona (Crédito:Divulgação)

É preciso ressaltar que não são todos os profissionais, mesmo na área médica, que têm “facilidade” para chegar aos EUA e rapidamente conseguir trabalhar. A paulista Paula Demétrio de Souza França, de 39 anos, oncologista e cirurgiã, de sólida formação e que trabalhou em diferentes hospitais renomados no País, como a Beneficência Portuguesa de São Paulo, está há três anos morando em Nova York, vinculada a um grande hospital (por motivos contratuais ela não pode revelar o nome), mas ainda não conseguiu fazer o que exercia no Brasil, as cirurgias. “Aqui sou pesquisadora, enquanto não consigo validar o meu diploma”, diz. A dentista Cybelle Pereira, de 48 anos, natural de Belo Horizonte, é outra “veterana” em terras norte-americanas. Ela chegou à cidade de Pittsburgh, em 2016, com o diploma em mãos, mas teve que voltar para a universidade. Hoje está em fase de licenciamento na instituição de ensino local. “Trabalhei como assistente e depois num grande empresa chamada JBL, em Nova York, mas não atendendo diretamente o paciente”, explica. De forma geral, as profissionais se sentem satisfeitas em tentar a vida nos Estados Unidos, e apesar de altos e baixos, afirmam categoricamente que se trata de uma grande oportunidade.