Especial 40 anos

A frustração com Collor

Primeiro presidente eleito após o fim do regime militar, Fernando Collor de Mello traiu seus milhões de eleitores ao confiscar a poupança e gerou uma crise gigantesca

A frustração com Collor

“O confisco não teve o menor sentido. Só gerou uma recessão brutal”, Emerson Marçal, 43 anos, coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV


Brasil/Eleição direta  1989

Depois de 21 anos de regime militar e cinco do governo de transição de José Sarney, os brasileiros voltaram às urnas para escolher o presidente da República de forma direta. Na última vez em que o País havia realizado uma eleição, Jânio Quadros foi o eleito presidente em 1960. A eleição de Collor foi acirrada e cheia de paixões. Foram para o segundo turno o então governador de Alagoas, que falava em “caça aos marajás”, e o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, que falava em distribuição de renda seguindo um programa de esquerda. Venceu Collor, aos 42 anos. O mais jovem presidente da história do País.

Um dia depois da posse, em 16 de março de 1990, veio o banho de água fria. O presidente que prometia resolver os problemas dos “descamisados”, dos mais pobres, anunciou o confisco da poupança e das aplicações depositadas em bancos. Os correntistas só poderiam sacar o equivalente a 50 mil cruzados novos, a desvalorizada moeda vigente. Qualquer valor acima desse teto só poderia ser sacado 18 meses depois, com correção e juros de 6% ao ano. O valor equivaleria hoje a cerca de R$ 5 mil. Em sua biografia, “Zélia, uma paixão”, a economista que respondia pelo Ministério da Fazenda admitiu que a escolha da cifra foi resultado de um sorteio.

Seguiu-se um desespero total, sobretudo da classe média. “Collor escolheu muito mal sua primeira equipe econômica”, diz Emerson Marçal, 43 anos, coordenador de Macroeconomia Aplicada da FGV. “Eram pessoas que não estavam à altura do desafio de resolver a grave crise econômica herdada do governo Sarney. O combate à inflação teve resultado zero com o Plano Collor”.

“Carroças”

No ano anterior à posse de Collor, o aumento de preços havia atingido impressionantes 1.782%. A equipe econômica liderada por Zélia Cardoso de Mello prometeu um choque de combate à inflação, um tiro de canhão no dragão inflacionário. “O confisco da poupança não teve o menor sentido do ponto de visto econômico”, explicou Marçal. “A única coisa que Zélia conseguiu foi gerar uma brutal recessão. Em 1990, o PIB recuou 4,5%. Mais do que herança, o Plano Collor deixou um trauma, até hoje, entre os aplicadores da caderneta de poupança.

Das poucas iniciativas positivas da gestão de Collor destacam-se o início do processo de desestatização e a abertura da economia brasileira, que permanecia entre as mais fechadas do mundo em plena era da globalização. Foi quando o Brasil passou a ter acesso a itens importados, como os automóveis que substituíram nossas “carroças” — como o próprio Collor chamava os veículos fabricados no País.


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“O confisco não teve o menor sentido. Só gerou uma recessão brutal” Emerson Marçal, 43 anos, coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV
“O confisco não teve o menor sentido. Só gerou uma recessão brutal” Emerson Marçal, 43 anos, coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV

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