Cultura

“Frère et soeur” em Cannes ou os mistérios insondáveis de uma família francesa

“Frère et soeur” em Cannes ou os mistérios insondáveis de uma família francesa

O Festival de Cannes tem 21 filmes na mostra competitiva pela Palma de Ouro - AFP

O diretor francês Arnaud Desplechin entrou nesta sexta-feira (20) na disputa pela Palma de Ouro em Cannes com “Frère et Soeur”, um filme sobre o ódio misterioso entre um irmão e uma irmã.

“Felizmente tenho uma vida mais chata que meus personagens”, declarou Desplechin à AFP.


Diretor de filmes sobre a família em uma França contemporânea e algo perdida (“Reis e Rainha” de 2004 e “Um Conto de Natal” de 2008), Desplechin tentou imaginar um cenário de pesadelo: um acidente de carro que obriga uma família a reunir-se ao redor dos pais idosos, à beira da morte.

“Dentro de mim, eu falava: o que aconteceria realmente tivesse sentimentos de pesadelo com uma das minhas irmãs?” explicou o diretor.

No filme, a irmã mais velha, Alice, uma atriz de sucesso interpretada por Marion Cotillard, começa a odiar com todas as forças um dos irmãos, Louis (Melvil Poupaud), quando este começa a despontar como escritor.

O acidente de carro dos pais força um reencontro, depois de anos ignorando um ao outro.

Mas o filme mantém o suspense, pois os irmãos evitam ao máximo o contato, em meio a uma família perdida, que não sabe como lidar com a situação constrangedora.

“Tenho a sorte, na minha idade (61 anos), de ter meus pais ainda vivos. Mas decidi que com este filme eu precisava enfrentar coisas que me aterrorizam”, afirmou o diretor.

Cotillard e Poupaud se esforçam para dar credibilidade, em um ambiente muito burguês e intelectual, a dois personagens que gritam e maltratam os outros de modo constante, começando por eles mesmos.

“No final do filme, eu tive que dizer a Melvil que o amava muito, que a distância e a frieza que consegui (para a atuação) era algo necessário para o filme”, reconheceu Cotillard.