Francisco Paz é destaque em ‘O Talentoso Ripley’, peça em cartaz no Rio

Ator fala da carreira, da influência dos pais na escolha da profissão e da sua forte ligação com o cinema

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Francisco Paz. Foto: Divulgação.

Francisco Paz é mais um destaque de “O talentoso ripley”, que faz temporada de 4 a 27 de abril, no Rio de Janeiro, na pele de Richard Greenleaf, o bon vivant que é o alvo da cobiça de Tom Ripley, personagem de Hugo Bonèmer. O ator não esconde a alegria de levar aos palcos o projeto que é idealizado por ele.

“O talentoso Ripley é um projeto meu. Em 2019 eu estava procurando textos e minha mãe, que é produtora, tinha este texto na biblioteca dela. Quando li a peça, não pensei duas vezes: “esse é o projeto que tenho que fazer”. Por tudo que envolve essa história”, revela.

Paz diz que o seu personagem gosta dos bons prazeres que a vida pode oferecer, algo que ele vê em comum com ele, mas as similaridades terminam aí.

“A parte mais complicada foi encontrar as dores deste homem. A vida que ele leva é uma vida invejada por quase todo mundo. O desafio está em encontrar a humanidade por trás de tantos recursos financeiros e dessa vida sem limites que ele tem”, ressalta ele sobre a construção de Richard.

O ator ainda lembra do primeiro contato com a obra e como a história foi bem adaptada para os palcos, fazendo com que os atores tenham um trabalho bastante consistente e potente.

“A história permite diversas interpretações. Trazer ela aos palcos só mostra a potencialidade e a profundidade de Patrícia Highsmith, autora da série de livros focada no seu personagem Tom Ripley. O trabalho que a Phylis Nagy, que adaptou o texto para o teatro, é digno dessa grande autora. Nos permite jogar em cena permanentemente. Essa é a riqueza deste trabalho. O texto se sustenta nos atores. Na fuga e presença permanente do personagem Tom Ripley”, diz.

Francisco e Hugo começaram esse projeto há dois anos e com o tempo eles ficaram além de parceiros de produção, também colegas de cena e amigos na vida.

“Estamos juntos há quase 2 anos trabalhando nesse projeto. Hugo é sem dúvida um dos maiores presentes que este projeto me deu. Não vou ficar rasgando a seda para ele aqui (rs), mas ficar com a amizade e a parceria do Hugo é sem dúvida aqueles retornos eternos que este tipo de projeto proporciona. Hugo é um cara fora de série. Apesar de muitas vezes pensarmos diferentes. Sempre conseguimos nos entender. O que é muito valioso”, conta.

Trajetória na carreira

O carioca de 33 anos atua desde 18 e começou a amar o universo das artes por causa da sua proximidade com o cinema quando ainda era criança.

“Meu pai é proprietário de um cinema em Búzios. Ele é o realizador do Búzios Cine Festival que acontece há 26 edições na cidade, sendo o evento mais antigo de lá. Dentro do cinema já fui bilheteiro, porteiro, vendedor de bomboniere, projecionista, técnico de máquinas, programador e gerente. Conheço todas as funções de um cinema. Além disso, quando o festival de cinema começou eu tinha 2 anos. Eu nasci nesse mundo. O cinema me formou em todos os sentidos. Minha primeira formação é a sala de cinema. Ele me colocava para ver todo e qualquer tipo de filme desde criança. Os grandes atores como Brando, Pacino, Hoffman, Olivier, Mastroianni, Newman, Depardieu sempre foram figuras carimbadas nas referências em casa. Assim como os grandes diretores. Eu costumo brincar que se não assistisse determinados filmes eu não podia comer sobremesa”, explica.

Alguns anos depois, mesmo tentando sair da área, ele decidiu seguir pelo caminho da atuação, durante sua formação em sociologia, em 2015, ele enveredou pelo caminho que seus pais já haviam traçado e onde se conheceram.

“Meu pai é argentino e se mudou para Búzios no final dos anos 70. Minha mãe é carioca. Os dois se conheceram na CAL nos anos 80 e estão juntos até hoje. A influência sempre esteve por todos os lados. Mais que meus pais, fui influenciado por grandes personagens que meu pai me apresentava no cinema. Decidi ser ator por personagens como: Indiana Jones, 007, Aragorn, e tantos outros heróis”, complementa sobre a influência dos pais na sua carreira.

Formação profissional

Em 2014 ele começou com a sua formação profissional, estudou no O Tablado, na CAL, como seus pais, e no Grupo TAPA, mas a sua formação profissional se deu na Argentina, onde passou três anos.

“Após minha formação em sociologia, fui para a Argentina. Os Estúdios de Carlos Gandolfo e Agustin Alezzo foram cruciais na minha formação. O olhar que os argentinos dão para a atuação é algo fora de série”, ressalta.

Na sua carreira, ainda quando jovem, ele destaca alguns trabalhos feitos no país vizinho, onde atuou por trás das câmeras, além de suas atuações.

“Houve 2 trabalhos que eu fiz ainda muito jovem que realmente me fizeram escolher essa área e especialmente a atuação. O filme argentino “Corazón de Leon”, dirigido por Marcos Carnevale, onde atuaram o ator argentino Guillermo Francella e meus pais (eu fiz a produção executiva do filme). Aqui no Brasil, destaco a peça “12 Homens e uma sentença”, foi o meu primeiro e sem dúvidas o trabalho que mais me marcou. Eu era o 13º homem, e poder estar ao lado daquele elenco formado de grandes atores que não saiam do palco em nenhum momento, brincando e jogando, foi realmente espetacular. Tive a oportunidade de trabalhar com a Lúcia Murat, no filme “O Mensageiro”, e com Breno Silveira, na série “Um contra todos”, da Netflix”. Ambos são cineastas que admiro muito”, lembra.

Francisco está morando no Rio por causa da peça, mas assim que estrear ele volta a fazer o itinerário Rio/Búzios.

“Preciso sempre estar por lá, já que sou hoje o diretor do Gran Cine Bardot, que é o único cinema de Búzios, e um dos últimos cinemas de rua do estado do Rio de Janeiro, ele faz parte da Pousada Vila do Mar, que também sou proprietário. Ele faz, em 2026, 32 anos e através dele, e dos seus festivais, já levamos figuras icônicas do cinema para a cidade como a atriz francesa Isabelle Hupert, o diretor espanhol Carlos Saura e tantas outras do cinema. Desde que eu assumi a gerência em 2019, durante a pré-pandemia, meu trabalho tem sido adaptar a sala para se transformar em um cineteatro e um centro cultural. Hoje ampliamos oficialmente a vocação da sala para um centro cultural comunitário que dialoga com diversas artes. Ele é um cinema de arte que está intrinsecamente ligado à cidade de Búzios e ao estilo de vida buziano”, explica.

Além de “O talentoso ripley”, o ator tem outros projetos nos palcos, também em abril, ele estreia a peça “Autobahn” de Neil Tabute, trabalho que será dirigido por Marina Rigueira, no teatro Café Pequeno, Leblon (RJ).

““Autobahn” é a primeira peça do Estúdio Marina Rigueira, que é o estúdio que representa oficialmente a técnica de Ivana Chubbuck, uma das mais importantes preparadoras de Hollywood no momento, no Brasil.

“A peça tem sete histórias que se passam dentro de um carro, a minha é a terceira. Nela, faço parte de um casal que discute dentro do veículo, uma relação tóxica e em desgaste, é um trágico e cômico, uma peça de terror psicológico”, completa.