Mundo

Franceses se preparam para novas medidas contra covid-19, e italianos protestam

Franceses se preparam para novas medidas contra covid-19, e italianos protestam

Garçom se prepara para fechar bar-restaurante na Piazza Navona de Roma em 26 de outubro de 2020 - AFP

Afetados em cheio por uma “brutal” segunda onda do coronavírus, os franceses se preparam para o anúncio de novas medidas restritivas, que na vizinha Itália provocaram protestos de uma população exasperada por meses de confinamento, controles e asfixia econômica.

Vários países estão adotando uma nova série de medidas para frear uma epidemia que parece fora de controle e já provocou mais de 1,16 milhão de mortos no mundo, com 43.516.870 infectados oficialmente registrados, segundo o balanço da AFP, que tem como base os números oficiais dos países.

“A situação é crítica e estamos surpresos com a brutalidade do que aconteceu nos últimos dez dias”, afirmou o presidente do conselho científico que assessora o governo do presidente Emmanuel Macron, Jean-François Delfraissy, depois que a França registrou no domingo o recorde de 52.000 contágios em 24 horas.

O chefe de Estado francês convocou para esta terça-feira um Conselho de Defesa dedicado à covid-19.

De acordo com a imprensa, o governo cogita ampliar o horário do toque de recolher, que já afeta 46 milhões de pessoas, impor um confinamento domiciliar nos fins de semana, ou ordenar confinamentos localizados nas regiões mais afetadas, como Paris.

“Devemos nos preparar para decisões difíceis. Não sei exatamente quais serão as decisões, mas, em algum momento, teremos que tomar decisões difíceis, como todos os nossos vizinhos europeus”, afirmou o ministro do Interior, Gérald Darmanin, em referência às novas medidas contempladas na Itália, na Espanha, ou na República Tcheca.

A mesma tendência é observada na Espanha, onde a região da Catalunha estuda um possível confinamento da população em suas residências nos fins de semana.

Outras regiões espanholas também endureceram as restrições depois da proclamação por 15 dias, a partir de domingo passado, do estado de emergência de saúde.

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez descartou até o momento um confinamento generalizado como na primavera passada (hemisfério norte).

Na vizinha Itália, fortemente afetada pelo vírus na primavera, as novas medidas foram mal recebidas. Milhares de pessoas protestaram na segunda-feira à noite contra o fechamento de bares e restaurantes a partir das 18h locais, e de todos os teatros, cinemas e academias durante um mês.

Em cidades como Milão e Turim, norte da Itália, os protestos acabaram em confrontos entre a polícia e os manifestantes, e houve atos de vandalismo contra bondes e vitrines de lojas quebradas. Os manifestantes usaram coquetéis molotov, e a polícia reagiu com gás lacrimogêneo.

Nesta terça-feira, atores, diretores, cantores e intelectuais pediram ao primeiro-ministro Giuseppe Conte o fim das medidas que afetam o setor cultural.

– “Quando isto acabar” –

Mas alguns não têm esperança: na pequena cidade portuária italiana de Pesaro, a polícia fez uma operação em um restaurante, cujo proprietário havia convidado 90 pessoas para jantar e expressar sua negativa a fechar às 18h.

“Pode me prender, não vou fechar mais”, afirmou.

O cansaço é generalizado. A capital do Peru, Lima, criou um espaço onde as pessoas podem escrever seus desejos para depois da pandemia, com o título “Quando isto acabar…”.

“Quero parar de usar máscara”, “Abraçar meus pais”, “Praias livres, discotecas e shows” afirmam algumas das mais de 5.000 mensagens.

Entre os países mais afetados pela covid-19, o Peru registra a maior taxa de mortalidade, com 104 óbitos para cada 100.000 habitantes.

Nos Estados Unidos, país mais afetado do mundo, o número de vítimas fatais subiu para 225.739. O Brasil tem balanço de 157.397 mortos.

Durante uma viagem pelo estado da Pensilvânia (que pode ser decisivo nas eleições), o presidente americano, Donald Trump, na defensiva, teve de jurar na segunda-feira que não se rendeu ao vírus, depois que as declarações do chefe de gabinete da Casa Branca reforçaram o sentimento de um governo superado pela pandemia.

Diante das percepções pessimistas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu a todos que “não abaixem os braços”.

– Queda da imunidade –

Enquanto os cientistas de todo mundo correm contra o tempo para tentar desenvolver uma vacina, um estudo internacional publicado na segunda-feira na revista Cardiovascular Research revela que uma exposição a longo prazo à poluição do ar pode aumentar, em 15% na média, o risco de morte por covid-19.

Como sinal de um mundo que está diante de um vírus difícil de controlar, outro estudo estudo britânico realizado pela Imperial College London e a Ipsos Mori mostra que a imunidade adquirida pelas pessoas infectadas e curadas de covid-19 “cai bastante rapidamente”, em especial nas pessoas assintomáticas, e poderia durar apenas alguns meses.

No campo econômico, as notícias ruins não dão trégua. A crise do novo coronavírus pode provocar a queda de 40% dos investimentos estrangeiros diretos (IED) este ano, e uma recuperação deve acontecer apenas em 2022, destacam os economistas da ONU.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) explica em um relatório que os confinamentos e a perspectiva de uma profunda recessão global reduziram significativamente os IED.

burx-mis/mar/fp/tt

Veja também

+ Jovem morre após queda de 50 metros durante prática de Slackline Highline
+ Conheça o phloeodes diabolicus "o besouro indestrutível"
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida grátis e vai presa
+ Cirurgia íntima: quanto custa e como funciona
+ MasterChef: Fogaça compara prato com comida de cachorro
+ Zona Azul digital em SP muda dia 16; veja como fica
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel