França impõe toques de recolher e endurece resposta após violência em protestos

Ministro da Justiça afirma que cerca de 150 pessoas já foram encarceradas; restrições noturnas em Paris e Lyon buscam evitar novos tumultos

Carro é incendiado durante protesto na Praça da República, em Paris, em 17 de outubro de 2026. Foto: AP Photo/Thibault Camus.
Foto: Carro é incendiado durante protesto na Praça da República, em Paris, em 17 de outubro de 2026. Foto: AP Photo/Thibault Camus.

O governo francês endureceu a resposta aos episódios de violência registrados à margem dos protestos contra o alto custo de vida e as condições precárias em escolas. Nesta terça-feira, 20, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que cerca de 150 pessoas já haviam sido encarceradas no âmbito dos processos abertos após os atos do fim de semana.

O número não corresponde ao total de pessoas detidas pelas forças de segurança. Segundo as autoridades, mais de 2,4 mil pessoas foram levadas sob custódia policial desde o sábado, 17, quando manifestações em diversas cidades foram seguidas por confrontos, incêndios, vandalismo e saques.

Darmanin defendeu uma resposta “extremamente firme” da Justiça contra os responsáveis por ataques a policiais, bombeiros, prédios públicos e estabelecimentos comerciais. O ministro afirmou que mais de 800 pessoas foram encaminhadas aos tribunais e que os números podem aumentar à medida que os procedimentos policiais são concluídos.

Toques de recolher são localizados

Em reação à escalada dos tumultos, autoridades francesas adotaram toques de recolher em áreas específicas. Em Paris, a restrição foi aplicada em regiões próximas à Praça da República e ao centro comercial Les Halles. Em Lyon, o toque de recolher no centro da cidade foi renovado entre 21h e 6h.

As medidas não valem para todo o território francês e são definidas pelas autoridades locais conforme o risco de novos episódios de violência. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou ainda um reforço “massivo” no esquema de segurança para os próximos protestos previstos no país.

Apesar dos atos violentos, as autoridades e organizações civis destacam que a maior parte das manifestações ocorreu de forma pacífica. O governo estimou em 550 mil o número de participantes nos protestos de sábado, enquanto os organizadores falaram em cerca de 800 mil pessoas.

De reivindicações estudantis à crise do custo de vida

Os protestos começaram em setembro, liderados por estudantes que cobravam melhores condições de ensino, infraestrutura e recursos para as escolas. Nas últimas semanas, o movimento ganhou adesão de sindicatos, trabalhadores e grupos políticos, incorporando pautas como inflação, crise habitacional, aluguel elevado e cortes em serviços públicos.

A violência de uma parcela dos manifestantes, porém, passou a dominar a resposta do governo. Carros foram incendiados, lojas foram saqueadas e prédios públicos foram atacados em diferentes cidades.

A morte de um homem em Paris, no sábado, ainda está sob investigação. Segundo o Ministério Público francês, a hipótese inicial é de mal súbito, sem confirmação de que o óbito tenha relação direta com os confrontos.

Pressão social na Europa

A mobilização francesa ocorre em um ambiente de crescente tensão social em outros países europeus. Na Espanha e em Portugal, protestos têm sido impulsionados principalmente pela crise de moradia e pelo alto preço dos aluguéis. Itália e Albânia também registraram manifestações recentes.

Embora compartilhem insatisfação com o custo de vida e a precarização de serviços, os movimentos têm origens e reivindicações próprias em cada país.

Da IstoÉ e ANSA