Autoridades francesas determinaram nesta segunda-feira (19) a adoção de toques de recolher em Paris e em outras cidades do país para impedir novos episódios de violência após uma série de manifestações que provocaram destruição, saques e confrontos com as forças de segurança.
As medidas foram anunciadas em meio ao agravamento da crise social na França, onde protestos contra o alto custo de vida e por melhorias nos serviços públicos ganharam força nos últimos dias. As restrições atingem áreas consideradas mais vulneráveis à ocorrência de novos distúrbios.
Segundo o governo francês, os confrontos registrados durante a madrugada de sábado (17) para domingo (18) deixaram uma pessoa morta, mais de 500 policiais feridos e quase 2,4 mil detidos.
Paris restringe circulação durante a madrugada
Na capital francesa, o toque de recolher será aplicado na Place de la République e nas vias de acesso ao bairro de Les Halles, duas regiões que estiveram entre os pontos de tensão durante as manifestações.
A proibição de circulação começará às 22h desta segunda-feira e seguirá até as 6h de terça-feira (20), no horário local.
A decisão busca evitar novas concentrações de manifestantes e impedir a repetição dos confrontos que atingiram diferentes áreas da cidade durante o fim de semana.
Paris registrou episódios de vandalismo, incêndios e enfrentamentos entre grupos de manifestantes e agentes de segurança. As autoridades também relataram danos a estabelecimentos comerciais e ao patrimônio público.
Outras cidades francesas também adotam restrições
Em Nice, no sul da França, a prefeitura do departamento de Alpes-Maritimes determinou um toque de recolher direcionado a menores de idade na região central da cidade.
A medida terá início às 2h e será aplicada em áreas que sofreram os impactos mais graves dos saques e incidentes registrados nos últimos dias.
No norte do país, os municípios de Lille, Douai, Wattignies e Denain também anunciaram restrições à circulação.
Nessas localidades, o toque de recolher começa às 20h e deverá permanecer em vigor, pelo menos, entre segunda e terça-feira.
As decisões foram tomadas por autoridades locais após um pedido do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que defendeu medidas emergenciais para restabelecer a segurança e evitar novos episódios de violência.
Quase 2,4 mil pessoas foram detidas após confrontos
A escalada dos protestos provocou uma resposta mais rígida do governo francês, diante do elevado número de ocorrências registradas durante o fim de semana.
De acordo com o balanço apresentado pelas autoridades, os confrontos deixaram uma pessoa morta e mais de 500 policiais feridos, além de resultar em quase 2,4 mil detenções.
Os números refletem a dimensão da crise enfrentada pelo país, que registrou manifestações em diversas cidades, algumas delas acompanhadas por incêndios, ataques contra agentes de segurança e destruição de propriedades.
Embora parte dos protestos tenha ocorrido de maneira pacífica, episódios de violência ampliaram a pressão sobre o governo para adotar medidas capazes de impedir novos distúrbios.
As manifestações estão relacionadas ao descontentamento de diferentes setores da sociedade com o custo de vida, as condições dos serviços públicos e as dificuldades econômicas enfrentadas pela população.
Governo anuncia apoio a comerciantes prejudicados
Além das medidas de segurança, o governo francês anunciou iniciativas para auxiliar comerciantes atingidos pelos atos de vandalismo.
Segundo o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, pelo menos três mil estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados durante o fim de semana.
Após uma reunião de emergência realizada em Paris, o premiê informou que os empresários afetados poderão recorrer a mecanismos de suspensão temporária das atividades, além de receber apoio por meio de um fundo específico.
O objetivo é reduzir os prejuízos econômicos e contribuir para a recuperação das atividades comerciais nas regiões atingidas.
As autoridades francesas continuam acompanhando a situação e não descartam a necessidade de novas medidas de segurança caso os confrontos persistam.
O governo enfrenta o desafio de restabelecer a ordem pública sem comprometer o direito à manifestação, em um cenário de crescente insatisfação social e pressão política.
Da IstoÉ e Ansa