França sedia cúpula sobre Gaza e apela por pausa humanitária

PARIS, 9 NOV (ANSA) – O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou nesta quinta-feira (9) que a comunidade internacional precisa trabalhar por um cessar-fogo na guerra entre Israel e o grupo fundamentalista islâmico Hamas.   

A declaração foi dada durante a abertura da conferência humanitária sobre Gaza, no Palácio do Eliseu, em Paris, a qual conta com a presença de líderes do G20 e da União Europeia.   

Israel, no entanto, não participa do evento, mas Macron conversou com o premiê Benjamin Netanyahu, segundo fontes da presidência francesa. A cúpula tem como objetivo desbloquear a ajuda humanitária à população civil da Faixa de Gaza, cuja entrega é quase impossível devido aos contínuos bombardeios israelenses após os ataques terroristas do Hamas de 7 de outubro.   

“No futuro imediato, temos de trabalhar na proteção dos civis.   

Para fazer isso, precisamos de uma pausa humanitária muito rápida e de trabalhar para um cessar-fogo”, apelou Macron em um forte apelo ao compromisso de um cessar-fogo entre Israel e Hamas.   

O líder francês insistiu que ‘isto é possível” 33 dias depois do início do conflito, que já provocou a morte de mais de 11 mil pessoas, e anunciou que seu governo vai destinar este ano mais 80 milhões de euros em ajuda humanitária aos palestinos, atingindo um total de 100 milhões de euros em 2023.   

“Desde 7 de outubro, a França anunciou 20 milhões de euros de ajuda humanitária adicional e vamos aumentar esse esforço para 100 milhões de euros até 2023”, afirmou.   

Nos últimos dias, Macron manteve um diálogo com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, e com o emir do Catar, Tamim ben Hamad Al-Thani, mas os países árabes não estão representados ao mais alto nível em Paris.   

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) enviou o seu primeiro-ministro, enquanto o Egito, que controla a passagem fronteiriça de Rafah, é representado por uma delegação ministerial.   

Já a Itália enviou seu chanceler Antonio Tajani, que detalhou a importância que a presidência italiana do G7 em 2024 pretende atribuir à situação no Oriente Médio, com o objetivo de alcançar uma solução credível e duradoura para a crise.   

Para Roma, a solução deve basear-se no apoio do G7 à ANP e na retomada de um processo político baseado no princípio de dois povos, dois Estados.   

Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a passagem de ajuda humanitária para Gaza através de Rafah “é a prioridade”, mas “outros pontos de passagem” também devem ser examinados.   

Von der Leyen observou que também estão a ser mantidas conversas neste sentido com Chipre, para a criação de um corredor marítimo humanitário. Chipre é o Estado-membro da UE mais próximo da Faixa de Gaza, a uma distância de 200 milhas náuticas. (ANSA).