França investigará 4 empresas por suposta exploração de uigures

PARIS, 1 JUL (ANSA) – A justiça francesa abriu um inquérito contra quatro gigantes do setor têxtil acusadas de explorar o trabalho forçado de uigures, minoria muçulmana que vive no noroeste da China, informou uma autoridade local nesta quinta-feira (1º).   

A abertura da investigação foi feita pela Procuradoria Nacional Antiterrorismo (PNAT) da França no final de junho para apurar uma suposta “ocultação de crimes contra a humanidade” nas empresas Uniqlo França, do grupo japonês Fast Retailing, a Inditex (proprietária das marcas Zara, Bershka, Massimo Dutti), a SMCP francesa (que inclui marcas como Sandro, Maje, de Fursac) e a norte-americana Skechers, fabricante de calçados esportivos.   

A denúncia foi apresentada em Paris, no início de abril, pela associação anticorrupção Sherpa, em conjunto com o coletivo Ética na Etiqueta e o Instituto Uigure da Europa (IODE).   

“Esta investigação representará necessariamente um risco judicial e uma responsabilidade adicional para todos aqueles que, impunemente, pensam que podem importar para a França, para se enriquecerem, recursos e produtos a preço de lágrimas e sangue”, explicou o advogado de acusação, William Bourdon, em entrevista à AFP.   

A queixa é baseada, entre outras coisas, no relatório publicado em março de 2020 pela ONG australiana Aspi (Australian Strategic Policy Institute). As associações acusam as marcas de comercializar produtos fabricados parcial ou totalmente em fábricas onde a minoria muçulmana é submetida a trabalhos forçados.   

A situação dos uigures é a razão de um confronto cada vez mais acirrado entre o Ocidente e a China. Vários países, incluindo os Estados Unidos, apontam um “genocídio”, enquanto várias ONGs acusam Pequim de ter internado mais de 1 milhão de uigures em centros de reeducação desde 2017.   

A China, por sua vez, nega as acusações e garante que os locais são “centros de treinamento vocacional” para distanciar-se da radicalização islâmica.   

Diversas empresas de vestuários como a japonesa Uniqlo, a sueca H&M, a norte-americana Nike ou a alemã Adidas comprometeram-se no ano passado a boicotar o algodão de Xinjiang e são, por sua vez, alvo de apelos ao boicote na China. (ANSA)