As autoridades francesas anunciaram, nesta sexta-feira (31), que frustraram um plano de ataque contra um estádio de futebol durante os Jogos Olímpicos Paris-2024 e que prenderam um jovem checheno supostamente envolvido nesta ação de “inspiração islamista”.

O Ministério do Interior afirmou que este é o “primeiro ataque frustrado contra os Jogos Olímpicos”, que acontecerão de 26 de julho a 11 de agosto.

O jovem, de 18 anos, foi detido no dia 22 de maio em Saint-Etienne, no sudeste da França, onde “preparava de maneira ativa um atentado contra o estádio Geoffroy Guichard” que deve receber partidas de futebol durante os Jogos, revelou o Ministério.

A Justiça decretou sua prisão preventiva no domingo por planejar, “em nome da ideologia jihadista da [organização] Estado Islâmico”, “ações violentas, em particular contra concentrações de torcedores”, segundo a Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT).

“Vendo que o estádio era muito seguro”, ele planejava “atacar os espectadores do lado de fora, perto dos cafés” e, em seus interrogatórios, explicou que seu objetivo era “morrer como mártir”, detalhou em entrevista coletiva o ministro do Interior, Gérald Darmanin.

A França está em nível de alerta máximo antes dos Jogos Olímpicos, quando são esperados cerca de 10 milhões de visitantes e 10 mil atletas. Desde o início do ano, três ataques foram interceptados no país.

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (COJO) saudou em um comunicado a “eficiência” das forças de segurança e sua “mobilização excepcional para garantir a segurança”, “prioridade número um para Paris-2024”.

A cidade de Saint-Étienne sediará seis partidas de futebol durante os Jogos, incluindo as seleções masculinas dos Estados Unidos, Argentina, Marrocos e Ucrânia, bem como a seleção feminina da França.

– “Mobilização total” –

Desde 2018, diversos casos tratados por tribunais antiterroristas na França envolveram jihadistas das repúblicas russas do Norte do Cáucaso, sobretudo da Chechênia.

Estes incluem três atentados: o ataque com faca perto da Ópera de Paris, em 2018, e os assassinatos dos professores Samuel Paty, em 2020, na região parisiense, e de Dominique Bernard, no dia 13 de outubro em Arras, no norte da França.

Diferentemente deste último, cometido por um russo conhecido por sua radicalização, o checheno detido na semana passada não possuía registros nos serviços de inteligência, segundo uma fonte policial.

O ataque em Arras chocou a França e motivou o ministro do Interior, Gérald Darmanin, a endurecer sua reforma migratória, adotada no início do ano. Também incentivou a defesa de uma “abordagem especializada” para os jovens do Cáucaso.

Nesta sexta-feira, o ministro parabenizou os serviços de inteligência por “sua mobilização total e sua eficiência na luta contra o terrorismo”, a menos de dois meses do início dos Jogos Olímpicos, que contarão com um significativo dispositivo de segurança.

As Olimpíadas já foram palco de ataques no passado, como em Munique-1972 ou Atlanta-1996, quando todas as atenções do mundo estão voltadas para os eventos olímpicos.

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