França envia porta-aviões ao Mediterrâneo para proteger "interesses econômicos"

França envia porta-aviões ao Mediterrâneo para proteger "interesses econômicos"

"Porta-aviõesMacron defende coalizão para proteger "interesses econômicos" e garantir segurança de tráfego marítimo no Oriente Médio em meio à expansão do conflito. Acompanhe as últimas notícias sobre a guerra no Irã.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã neste fim de semana miraram lideranças iranianas e mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e vários chefes militares.
O Irã prometeu vingar a morte de Khamenei e lançou mísseis contra Israel e bases militares americanas, portos e aeroportos no Golfo Pérsico, atingindo países aliados dos EUA na região.
Guarda Revolucionária iraniana diz ter destruído base dos EUA no Bahrein.
Um conselho interino foi formado para governar o Irã após a morte de Khamenei, incluindo o presidente Massoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Eje, e o aiatolá Alireza Arafi. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, disse que um novo líder supremo será escolhido em "um ou dois dias".
O presidente dos EUA, Donald Trump, diz que foi procurado pela nova liderança iraniana e que está disposto a negociar. Mas já declarou que a ofensiva americana deve durar quatro ou mais semanas, e não descartou enviar tropas ao país.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e uma das figuras de oposição mais proeminentes do país no exílio, voltou a se apresentar como potencial futuro líder. Trump, contudo, disse preferir nome "de dentro do país".
No Golfo Pérsico, empresas petrolíferas suspenderam o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, que o Irã anunciou ter fechado. A medida pode ter impactos devastadores para a economia global.
Total de vítimas é de cerca de 800 em sete países, a maioria no Irã.

Acompanhe abaixo os últimos desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel e a resposta do Irã:

França envia porta-aviões ao Mar Mediterrâneo para proteger "interesses econômicos"
Em meio à escala do conflito no Oriente Médio, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que reforçará significativamente sua presença militar na região.

Em um pronunciamento transmitido em cadeia de televisão na noite desta terça-feira (03/03), Macron confirmou o envio de um porta-aviões ao Mediterrâneo e de uma fragata ao Chipre — onde, um dia antes, uma base britânica em Acrotíri foi atingida no por um drone iraniano —, além de outros aparatos de defesa antiaérea.

Duas bases militares francesas também foram alvos de ataques na esteira da guerra no Irã, deflagrada por Estados Unidos e Israel no fim de semana.

Macron diz que seu governo trabalha para formar uma coalizão que ajudaria a garantir a segurança do tráfego marítimo na região, que foi seriamente comprometido com o conflito e a ameça do Irã a navios que trafegam pelo Estreito de Ormuz, por onde escoam cerca de 20% do petróleo mundial.

O conflito despertou temores de uma escalada nos preços do petróleo, o que poderia ter efeitos devastadores para a economia.

Macron disse também querer garantir a navegabilidade do Canal de Suez, no Egito, e das rotas de navegação do Mar Vermelho, que também estão ameaçadas pela expansão do conflito.

"Temos interesses econômicos a proteger, porque preços de petróleo, preços de gás e a situação internacional do comércio estão sendo profundamente prejudicados por essa guerra", afirmou o presidente francês.

ra (Reuters, ots)

Ação de EUA e Israel contra o Irã viola direito internacional, afirma Macron
O presidente francês Emmanuel Macron disse nesta terça-feira (03/03) que as operações militares dos Estados Unidos e de Israel no Irã foram conduzidas "à margem do direito internacional", mas atribuiu a Teerã a principal responsabilidade pelo conflito.

"Os Estados Unidos e Israel decidiram lançar operações militares, conduzidas fora do direito internacional, o que não podemos aprovar", afirmou Macron, ressalvando que o Irã "carrega a responsabilidade principal por esta situação".

O presidente francês justificou suas críticas ao Irã citando seu programa nuclear "perigoso", o apoio a grupos armados na região e as ordens para atirar "em seu próprio povo" durante a onda recente de protestos contra o regime dos aiatolás.

Até então, a Espanha era o único país europeu a condenar a ofensiva contra Teerã.

Mas apesar das críticas de Macron, seu governo já alertou o Irã de que está pronto para adotar ação militar em defesa de seus aliados no Golfo.

"Tomaremos medidas para defender nossos interesses e os de nossos aliados na região, potencialmente permitindo ações defensivas necessárias e proporcionais para destruir, na origem, a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones", afirma uma nota conjunta assinada por Alemanha, França e Reino Unido.

ra (AFP, DW)

Trump afasta hipótese de Reza Pahlavi liderar novo regime
O presidente americano Donald Trump descartou nesta terça-feira (03/03) a possibilidade de Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irã deposto pela Revolução Islâmica em 1979, assumir a liderança do país numa eventual mudança de regime.

Falando numa coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, ao lado do chanceler federal alemão Friedrich Merz, Trump disse que Pahlavi "parece uma pessoa muito agradável", mas disse preferir um líder de dentro do país.

"Alguém que esteja lá, que seja popular, se é que existe tal pessoa", defendeu Trump.

Mais cedo, o americano havia dito que, na pior das hipóteses, o governo iraniano seria assumido por alguém muito parecido com o aiatolá Ali Khamenei, morto em um bombardeio no fim de semana.

"Acho que o pior cenário seria: nós fazemos isso [atacar o Irã], e aí assume alguém que é tão ruim quanto a pessoa de antes, né?", disse a repórteres. "Isso poderia acontecer. Não queremos que aconteça."

ra (Lusa, AFP)

Aliados europeus reforçam defesa do Chipre após ataque de drone iraniano
A França vai implantar sistemas antimísseis e antidrone em Chipre, afirmou o governo da ilha mediterrânea nesta terça-feira (02/02).

Depois que quatro caças gregos F‑16 chegaram à ilha e duas fragatas gregas partiram rumo às águas cipriotas, o porta‑voz do governo, Konstantinos Letymbiotis, disse que o Chipre garantiu apoio adicional de parceiros-chave europeus.

"A assistência da França foi finalizada e envolve uma fragata equipada com sistemas antibalísticos e antidrone", afirmou.

Letymbiotis acrescentou que "a resposta inicial da Alemanha é positiva e aguardamos sua confirmação oficial e final".

O primeiro‑ministro britânico, Keir Starmer, disse nesta terça-feira que o Reino Unido está enviando “helicópteros com capacidade antidrones” e um navio de guerra, o HMS Dragon, para o Chipre, enquanto o país continua “operações defensivas” na região.

Base foi atacada por drone iraniano

Os anúncios ocorrem após a base da Royal Air Force (RAF) em Akrotiri ter sido atingida na madrugada de segunda-feira por um drone de fabricação iraniana, que atingiu a pista. Outros dois foram interceptados.

No domingo, o primeiro‑ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou que havia concordado com um pedido dos EUA para usar bases militares britânicas para um “propósito defensivo específico e limitado”.

Essas bases ficam em Gloucestershire, no oeste da Inglaterra, e na base conjunta Reino Unido‑EUA em Diego Garcia, no Oceano Índico.

Starmer insistiu que a base de Acrotíri não está sendo usada por bombardeiros dos EUA.

O governo do Chipre afirmou que buscaria garantias de que as bases britânicas em seu território seriam usadas apenas para fins humanitários.

Segundo Letymbiotis, o pequeno país insular "não participou nem participará de nenhuma operação militar", desempenhando papel "estritamente humanitário".

As Forças Armadas britânicas ajudaram a abater vários drones no Oriente Médio nas últimas 24 horas, de acordo com o ministério da Defesa britânico, incluindo sobre a Jordânia e o Catar.

md/ra (AFP, ots)

Trump ameça cortar relações comerciais com a Espanha por falta de apoio a ação no Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (03/03) que os Estados Unidos iriam cortar todo o comércio com a Espanha, depois que o país europeu se recusou a permitir que os militares americanos usassem suas bases para missões relacionadas aos ataques ao Irã.

"A Espanha tem sido terrível", disse Trump a repórteres, acrescentando que havia instruído o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a "cortar todas as relações comerciais" com o país.

"Vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha", acrescentou.

Trump também afirmou estar descontente com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por este não ter aderido ao ataque de EUA e Israel ao Irã, embora ele tenha permitido que as forças americanas usem bases no Reino Unido.

"Não estou feliz com o Reino Unido", disse Trump ao se encontrar nesta terça-feira (03/03) na Casa Branca com o chanceler federal alemão, Friedrich Merz.

"Levamos três, quatro dias para descobrir onde poderíamos pousar", disse Trump. "Não estamos lidando aqui com o Winston Churchill", acrescentou o republicano, se referindo ao lendário primeiro-ministro britânico, que teve grande responsabilidade pela vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.

md/ra (AFP, AP, Reuters)

Espanha defende recusa em ceder bases espanholas aos EUA
O governo espanhol defendeu sua decisão de negar aos EUA a utilização de bases operadas conjuntamente em Rota e Morón, no sul do país, para realizar ataques contra o Irã.

Óscar López, ministro espanhol da Transformação Digital e ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro Pedro Sánchez, reagiu às críticas do governo de Israel ao insistir que a Espanha é um membro confiável da Otan.

"A Espanha é um país sério e um parceiro confiável, e também um país que ama o direito internacional e a paz", sublinhou López.

O ministro afirmou que a posição do país sobre a ofensiva contra o Irã é muito clara. "A Espanha, naturalmente, exerce sua soberania e defende o direito internacional e uma ordem baseada em regras", disse.

Sánchez – um dos líderes mundiais mais críticos à guerra travada por Israel contra o grupo islamista Hamas na Faixa de Gaza – condenou publicamente o que chamou de "ação militar unilateral" dos EUA e de Israel contra o Irã, alertando que ela contribui para “uma ordem internacional mais hostil e incerta”.

Em postagem no X nesta segunda-feira, o ministro do Exterior de Israel, Gideon Sa'ar, acusou Sánchez de ceder a terroristas e regimes opressivos. "Primeiro, o Hamas agradeceu a Sánchez", escreveu. "Depois, os [rebeldes iemenitas] houthis agradeceram a Sánchez. Agora o Irã o agradece. Isso é estar do 'lado certo' da história?"

Até agora, a Espanha foi o único país europeu a criticar abertamente a ação americana no Irã. Leia mais sobre o tema aqui.

Trump critica premiê britânico

Diferentemente da Espanha, o Reino Unido concordou em autorizar o uso por forças americanas de suas bases na Inglaterra e em Diego Garcia, no Oceano Índico, para abater mísseis balísticos iranianos e atacar estoques de armas.

A autorização, porém, veio após resistência inicial do premiê britânico Keir Starmer, que ainda assim recusou ataques a outros alvos, o que irritou o presidente americano Donald Trump.

"Não estamos lidando com Winston Churchill", queixou-se Trump nesta terça-feira (03/03), comparando Starmer ao premiê que governou o Reino Unido durante a Segunda Guerra.

Mesmo após a base britânica de Acrotíri, no Chipre, ser atingida por um drone iraniano no fim de semana, Starmer insistiu que o Reino Unido "não se juntará à ação ofensiva" contra o Irã. Numa indireta a Trump, também declarou que seu governo não acredita em "mudança de regime vinda dos céus [por bombardeio]".

Ainda assim, Starmer anunciou nesta terça o envio de um destróier da Marinha britânica e de helicópteros Wildcat com capacidade antidrone como parte das "operações defensivas".

O governo britânico afirma ter abatido drones nos espaços aéreos de Jordânia e Iraque.

rc/ra (ots)

Ataque atinge prédio de órgão que elegerá novo aiatolá
Ataques de EUA e Israel atingiram nesta terça-feira um prédio usado pelo órgão responsável por eleger o novo líder supremo do Irã, segundo a mídia local.

O ataque àAssembleia dos Peritos em Qom, cidade religiosa localizada ao sul de Teerã, foi confirmado pela agência de notícias iraniana Tasnim e pela imprensa israelense.

A Assembleia dos Peritos é o corpo de clérigos responsável por nomear, supervisionar e, potencialmente, destituir o líder supremo. O órgão deve eleger o sucessor do aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado durante uma onda de ataques dos EUA e de Israel.

A mídia local exibiu imagens do prédio severamente danificado pelos ataques. Não havia informações sobre possíveis vítimas.

A agência de notícias Mehr informou que o prédio já não era utilizado para reuniões.

A Tasnim relatou que na segunda-feira ataques já haviam atingido a sede principal da Assembleia dos Peritos em Teerã.

O Irã anunciou no domingo o início de um processo de transição após confirmar a morte de Khamenei. Os planos incluem a formação de um conselho de liderança interino, composto pelo presidente iraniano, pelo chefe do Judiciário e por um jurista do Conselho dos Guardiões – o órgão que supervisiona legislações e avalia candidatos eleitorais.

Também desempenha um papel central o principal chefe de segurança do Irã, Ali Larijani.

O conselho de liderança interino conduzirá o país enquanto um sucessor permanente é escolhido como líder supremo.

md/ra (Reuters, AFP)

Os EUA têm motivos "legítimos" para bombardear o Irã?
Analistas têm se dividido sobre a legitimidade dos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel ao Irã.

Ao justificar a operação, o presidente americano, Donald Trump, alegou que Teerã estaria muito perto de desenvolver armas nucleares capazes de atingir os Estados Unidos – algo contestado pela imprensa americana.

Trata-se de um argumento de ação em legítima defesa diante de uma "guerra necessária". Mas esse raciocínio faz sentido?

Saiba mais no vídeo abaixo.

Conflito prejudica produção de gás e petróleo, e preços disparam
Os preços globais de petróleo e gás dispararam após o conflito no Irã interromper as exportações de energia do Oriente Médio. Teerã atacou navios e instalações de energia, fechou a navegação no Golfo Pérsico e forçou a paralisação da produção do Catar ao Iraque.

Os contratos de referência do petróleo Brent subiram quase 8% nesta terça-feira, ultrapassando 83 dólares (R$ 441) por barril, o maior valor desde julho de 2024, alta de mais de 15% desde sexta-feira.

Os preços do gás na Europa dispararam até 40% antes de reduzirem os ganhos, somando-se à alta de 40% registrada nesta segunda-feira. Os preços do açúcar, fertilizantes e soja também subiram.

O conflito arrisca desencadear um novo pico de inflação, que poderia sufocar a recuperação econômica na Europa e na Ásia se a guerra se prolongar em uma região que responde por pouco menos de um terço da produção global de petróleo e quase um quinto da produção de gás natural.

O tráfego pelo Estreito de Ormuz foi fechado pelo quarto dia consecutivo após o Irã atacar cinco navios, bloqueando uma importante via de escoamento responsável por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).

Centenas de petroleiros carregados com petróleo e GNL estão retidos perto de grandes centros, sem conseguir chegar aos clientes na Ásia, Europa e outras regiões. Algumas empresas tentam encontrar rotas alternativas.

Gasolina dispara nos EUA

Nos EUA, onde os preços da gasolina são um importante ponto de pressão política, o custo subiu acima de 3 dólares por galão (3,7 litros) pela primeira vez desde novembro.

Os preços mais altos nos postos de gasolina representam um grande risco para o presidente Donald Trump e para o Partido Republicano, à medida que se aproximam das eleições de meio de mandato em novembro.

A maior parte do GNL do Catar flui para a Ásia, mas uma parte também flui para a Europa, que é totalmente dependente dessas importações.

A Europa deverá realizar esforços para reabastecer os estoques, esgotados após um inverno rigoroso, e precisará depender ainda mais do gás dos EUA, depois de rejeitar o gás russo em decorrência da guerra na Ucrânia.

As taxas de frete marítimo em todo o mundo também dispararam para um recorde histórico, à medida que o conflito se intensificou e Teerã passou a atacar navios que passam pelo estreito.

rc/ra (Reuters)

Conflito no Irã acende alerta na zona do euro
Uma guerra prolongada no Oriente Médio poderia fazer a inflação na zona do euro disparar e corroer o crescimento econômico do bloco, afirmou o chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, em entrevista ao Financial Times nesta terça-feira (03/03).

O conflito no Irã preocupa porque, mesmo antes de ele estourar, a inflação nos 21 países que têm o euro como moeda já havia subido 0,2 pontos percentuais num intervalo de um mês, fechando fevereiro em 1,9%, segundo dados do escritório europeu de estatísticas Eurostat também divulgados nesta terça-feira.

A alta em fevereiro foi puxada pelo aumento nos preços de alimentos in natura e serviços – apesar dos preços relativamente baixos de energia.

Guerra no Irã deve piorar cenário

Embora a inflação siga abaixo da meta anual de 2% projetada pelo BCE, os números deixaram analistas apreensivos, já que a guerra no Irã, deflagrada no último sábado, deve piorar o quadro, com a alta esperada nos preços do petróleo. Desde o início do conflito, o preço da commodity já subiu mais de 10%.

Revendedores de combustível vão repassar a alta nos preços a motoristas em questão de dias, então o impacto pode ser imediato caso o conflito no Oriente Médio continue a limitar a produção e exportação de petróleo por mais tempo.

Caso a inflação saia de controle por causa disso nos próximos meses, o BCE pode ser forçado a rever suas políticas.

"Um salto nos preços de energia põe pressão na inflação, especialmente no curto prazo, e um conflito desses seria negativo para a atividade econômica", disse Lane. "A escala do impacto e as implicações para a inflação de médio prazo dependem da amplitude e duração do conflito."

O Irã controla o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo produzido pelo Oriente Médio, e reagiu ao ataque de Estados Unidos e Israel com o bloqueio da via.

O petróleo bruto é uma importante unidade econômica, portanto, um aumento nos preços causa um efeito dominó, gerando alta nos preços de outros bens.

"A inflação mais alta que o esperado em fevereiro certamente não é boa notícia e se soma a preocupações decorrentes do conflito iniciado no Oriente Médio", afirmou à agência de notícias Reuters Diego Iscaro, da consultoria S&P Global Market Intelligence. "Preços mais altos de petróleo e gás, interrupções na cadeia de suprimentos e um euro mais fraco são todos motores de inflação."

ra/cn (Reuters, DW)

ONU pede investigação sobre ataque a escola no Irã
O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma investigação sobre o bombardeio a uma escola infantil de meninas no Irã.

No sábado, o colégio de ensino primário Shajareh Tayyebeh, na província de Hormozgan, foi atacado em um incidente que o Irã qualificou como "ato bárbaro" e culpou Israel pela morte de dezenas de estudantes, professores e também pais das meninas. Ao todo, o ataque deixou 165 mortos.

O alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, pediu uma investigação "rápida, imparcial e exaustiva" do ataque à escola, lembrando que os ataques dirigidos contra civis ou bens de caráter civil, assim como os indiscriminados, "podem equivaler a crimes de guerra".

Israel rejeita as acusações e responsabiliza a Guarda Revolucionária do Irã pelo incidente. O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que as tropas americanas não atacariam a escola deliberadamente.

Nesta terça-feira (03/03), o funeral das meninas, pais e professores que morreram no ataque reuniu centenas de pessoas em Minab. Os presentes participaram do ato em meio a lágrimas, com fotos das meninas e carregando os caixões de madeira cobertos com bandeiras do Irã, que foram enterrados em mais de uma centena de covas escavadas em uma ampla zona do cemitério da cidade.

cn (EFE, ots)

Israel diz ter atacado prédios governamentais em Teerã
O Exército de Israel bombardeou na noite de segunda-feira um complexo governamental no centro de Teerã, segundo informou nesta terça-feira em comunicado, lançando "dezenas de munições" contra o gabinete presidencial, o edifício do Conselho Supremo de Segurança Nacional e um instituto de treinamento de oficiais.

"Ontem à noite, a Força Aérea lançou um ataque contra edifícios governamentais e de segurança dentro do complexo de comando do regime terrorista iraniano, no coração de Teerã", afirma um comunicado militar sobre a operação.

Estas instalações estão situadas a apenas centenas de metros do complexo onde foi morto, no sábado, o líder supremo Ali Khamenei, junto a outras autoridades.

Os bombardeios desta segunda-feira tiveram como alvo o gabinete presidencial e a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional, entidade encarregada da tomada de decisões em matéria de segurança do regime.

No total, o Exército israelense atacou aproximadamente 600 alvos no Irã, segundo seu próprio balanço. Teerã concentrou 56% dos ataques registrados, seguida pelas províncias do Curdistão (oeste) e Hormozgan (sul), no Estreito de Ormuz. Entre os objetivos atingidos figuram instalações militares, edifícios residenciais e o cais Shahid Bahonar, em Bandar Abbas, cidade portuária do sul do Irã situada às margens do Golfo Pérsico.

md/cn (EFE, ots)

Israel avança com tropas no sul do Líbano e continua bombardeio em Beirute
O Líbano foi arrastado mais profundamente para a guerra no Oriente Médio nesta terça-feira, quando o grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou mísseis contra Israel pelo segundo dia consecutivo e Israel enviou tropas para o sul do país e lançou ondas de ataques aéreos.

Vizinho de Israel ao norte e palco de inúmeros conflitos entre Israel e o Hezbollah, o Líbano havia evitado os efeitos colaterais do ataque EUA-Israel ao Irã até segunda-feira, quando o Hezbollah abriu fogo com drones e mísseis.

Com dezenas de mortos em ataques aéreos retaliatórios, a entrada do Hezbollah no conflito acirrou as divisões de longa data no Líbano sobre seu status como grupo armado – a única facção libanesa a manter suas armas após a guerra civil de 1975-90.

Na segunda-feira, o governo tomou a medida sem precedentes de proibir as atividades militares do Hezbollah. O jornal pró-Hezbollah Al-Akhbar condenou a medida na terça-feira como uma "capitulação às imposições, que poderia até levar ao início de uma guerra civil".

Colunas de fumaça se elevavam dos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, enquanto Israel lançava novos ataques aéreos. Milhares de libaneses fugiram de suas casas em áreas que sofreram o impacto de uma grande guerra entre Israel e o Hezbollah em 2024. As Nações Unidas afirmaram que, até segunda-feira, cerca de 29 mil pessoas, incluindo 9 mil crianças, haviam fugido.

Um porta-voz da agência da ONU para refugiados disse que 30 mil libaneses tiveram que deixar suas casas e foram registrados em abrigos coletivos, enquanto "muitos outros dormiram em seus carros à beira das estradas".

Os militares israelenses disseram ter enviado tropas adicionais para o sul do Líbano durante a noite, alegando que o objetivo era ocupar posições defensivas para se protegerem de qualquer possível ataque do Hezbollah. "Estamos na área da fronteira apenas de forma defensiva para impedir ataques contra civis e pontos estratégicos importantes", disse o tenente-coronel Nadav Shoshani.

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou em comunicado que havia autorizado o avanço das tropas e a tomada de controle de posições adicionais. Ele disse que as forças israelenses foram autorizadas "a avançar e assumir o controle de posições estratégicas adicionais no Líbano, a fim de evitar ataques a comunidades israelenses na fronteira".

Na noite de segunda-feira, os militares israelenses ordenaram a evacuação dos moradores de toda a faixa fronteiriça do sul do Líbano. Uma fonte do Exército libanês afirmou que as forças israelenses avançaram a partir da região de Kfar Kila, numa aparente tentativa de "estabelecer um amplo cinturão de segurança no sul do Líbano".

Uma fonte de segurança libanesa afirmou que as tropas israelenses estavam realizando incursões em algumas partes da fronteira. Testemunhas disseram que o Exército libanês havia se retirado de pelo menos sete posições operacionais avançadas ao longo da fronteira.

Israel manteve algumas tropas no sul em várias posições no topo de colinas após o cessar-fogo na guerra de 2024.

O sul, predominantemente muçulmano xiita, há muito tempo é um importante reduto do Hezbollah, onde o grupo obteve apoio político e posicionou armamentos antes do conflito de 2024. O exército libanês entrou na área e apreendeu seus depósitos de armas desde o conflito, do qual o Hezbollah saiu bastante enfraquecido.

O Hezbollah anunciou três ataques separados na terça-feira, usando drones e mísseis, e afirmando que estes tinham como alvo instalações militares no norte de Israel. Um míssil disparado do Líbano atingiu uma casa no norte de Israel, informou a mídia israelense. O serviço de ambulâncias de Israel disse que um homem foi tratado por ferimentos causados ​​por estilhaços de vidro.

O presidente libanês, Josef Aoun, disse que os foguetes disparados contra Israel na segunda-feira, vindos do Líbano, estavam fora da zona da fronteira sul onde o Exército declarou seu controle em janeiro. O Ministério da Saúde libanês informou na segunda-feira que 52 pessoas foram mortas em ataques israelenses no Líbano e mais de 150 ficaram feridas. Não houve atualização na terça-feira.

Durante a noite, um ataque aéreo israelense atingiu a sede da emissora Al-Manar, do Hezbollah, em Beirute. Os militares israelenses relataram mais ataques aéreos em Beirute na terça-feira, afirmando ter atingido "centros de comando, depósitos de armas e componentes de comunicação via satélite pertencentes à sede de inteligência do Hezbollah em Beirute".

md/cn (Reuters, AP, ots)

Drone atinge reservatório de combustível em porto no Omã
Drones atingiram um reservatório de combustível em Omã nesta terça-feira (03/03), enquanto nos Emirados Árabes Unidos uma zona de armazenamento de petróleo foi atingida, em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, que prosseguem com a campanha do Irã contra a economia do Golfo.

Os ataques ocorreram depois que o Irã ampliou seus alvos para incluir infraestrutura na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, onde a empresa estatal de energia suspendeu a produção de GNL, fazendo com que os preços da energia na Europa disparassem.

Vários drones também alvejaram o porto de Duqm, na costa leste de Omã, de acordo com uma fonte de segurança citada pela agência oficial de notícias de Omã. "Os danos resultantes foram controlados" e não foram registadas vítimas, disse a fonte. O ataque é o segundo ao porto em três dias.

Nos Emirados Árabes Unidos, destroços de um drone interceptado causaram um incêndio em uma zona de armazenamento e comercialização de petróleo no emirado de Fujairah na terça-feira, disseram as autoridades. Não houve relatos de feridos, o incêndio foi controlado e as operações normais na área foram retomadas.

cn (AFP, Lusa)

Quase 800 mortos no Irã após ataques de EUA e Israel, diz Crescente Vermelho
Pelo menos 787 pessoas morreram no Irã desde o início dos ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel no sábado, informou a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano nesta terça-feira.

Em uma publicação no Telegram, a organização humanitária afirmou que os ataques aéreos atingiram 153 cidades em todo o Irã. O número de mortos provavelmente aumentará, já que operações de busca e resgate continuam em vários locais, disse o grupo.

A Hengaw, uma organização de direitos humanos com sede na Noruega, afirmou na segunda-feira que mais de 1.500 pessoas morreram desde o início da escalada de violência, quatro dias atrás.

Cerca de 1.300 dessas vítimas eram membros das Forças Armadas, enquanto cerca de 200 eram civis.

De acordo com reportagens da mídia israelense, citando informações da inteligência israelense, a campanha conjunta entre EUA e Israel matou mais de mil membros da Guarda Revolucionária do Irã desde o início dos ataques no sábado.

md/cn (AFP, Reuters, AP)