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Fortuna, dívidas e impostos: as finanças de Trump o perseguem

Fortuna, dívidas e impostos: as finanças de Trump o perseguem

O presidente Donald Trump durante evento em Middletown, Pensilvânia, 26 de setembro de 2020 - AFP/Arquivos

Apesar do status de bilionário, Donald Trump pagou apenas 750 dólares em impostos em 2016, ano em que foi eleito presidente, e um valor similar no ano seguinte, graças a modalidades de otimização fiscal às quais grandes fortunas e milionários americanos podem recorrer.

– Como Trump construiu seu império?

O presidente americano sempre se vangloriou de ter feito fortuna graças a seus dotes de negociador e seu faro para bons negócios no setor imobiliário. As revelações do New York Times mostram uma realidade distinta, a de um homem que sabe, principalmente, como promover sua imagem.

Entre 2000 e 2018, Trump recebeu 230 milhões de dólares para emprestar seu nome para hotéis no Azerbaijão ou na Turquia, biscoitos e até travesseiros.

Em seu reality show “O Aprendiz”, teve remuneração de 197,3 milhões de dólares, segundo o Times.

Mas as empresas geridas diretamente por Trump, hotéis e residências de luxo como “Mar a Lago”, na Flórida, imóveis residenciais ou comerciais, clubes de golfe ou atrações como uma pista de gelo em Central Park, acumularam prejuízo de 174,5 milhões de dólares no mesmo período.

Embora alguns imóveis, como a Trump Tower e o Trump World Tower em Nova York se mostrem muito rentáveis, os campos de golfe -ele possui 19 no total em lugares como Miami, Bali ou Indonésia- são um buraco negro para as finanças do atual presidente americano, lhe custando 315 milhões de dólares.

Ao contrário do pai, que fez fortuna alugando apartamentos sem grandes riscos, o presidente se lançou em setores de difícil gerenciamento, destaca Kevin Riordan, professor de Finanças e Setor Imobiliário da Universidade de Montclair.

Os negócios vão bem quando a economia vai bem, diz Riordan. Mas o especialista alerta: “Trump parece pouco qualificado para comandar [seus negócios] quando os tempos são duros”.

O atual presidente é, porém, “um excelente vendedor”.

– Qual o valor da fortuna e das dívidas de Trump?

Em setembro, a fortuna de Trump éestimada em 2,5 bilhões de dólares, segundo a revista Forbes, que afirma que o mandatário perdeu 600 milhões de dólares no último ano.

A pandemia da covid-19 esvaziou seus edifícios empresariais em Manhattan e seu valor despencou, assim como o valor de seus hotéis, que ficaram desertos com as restrições impostas ao turismo e às viagens de negócios.

Todos estes imóveis pertencem à Trump Organization, um conjunto de empresas geridas por dois de seus filhos desde que Donald Trump assumiu a presidência.

A principal fonte de receita do conglomerado é o valor pago por empresas para poder usar o nome Trump em produtos e imóveis. A licença de seu sobrenome é avaliada em 56 milhões de dólares. No ano passado, era de 80 milhões de dólares, segundo a Forbes.

Donald Trump também está muito endividado.

Durante a campanha eleitoral de 2016, ele se autoproclamava “o rei da dívida”.

Seus empréstimos e outras dívidas pessoas chegam a 421 milhões de dólares, de acordo com o New York Times, que relata um empréstimo imobiliário de 100 milhões de dólares que Trump precisa pagar antes de 2022.

A maioria dos bancos dos Estados Unidos deixaram de fazer negócios com Trump após uma série de falências que o empresário sofreu nos anos 1990. O Deutsche Bank é uma exceção.

O estado de suas finanças poderia se deteriorar, analisa o Times, se Trump perder uma disputa judicial em andamento com o Tesouro dos Estados Unidos.

– Como Trump pôde pagar poucos impostos? –

O presidente americano se beneficiou de mecanismos que permitem deduzir diferentes pagamentos a título de gastos profissionais. Por exemplo, ele subtraiu de sua renda tributável despesas com roupas, talheres, manutenção de jardins e até visitas ao cabeleireiro.

Também obteve créditos fiscais.

Mas sua estratégia é, principalmente, investir em negócios, como luxuosos clubes de golfe, que perdem dinheiro, o que lhe permite declarar prejuízos e, assim, compensar receitas.

“Uma das manobras de Donald Trump para evitar pagar impostos era colocar seus gastos pessoais como gastos profissionais, incluindo 70.000 dólares em cabeleireiro quando estrelava em ‘O Aprendiz'”, explica Frank Clemente, da ONG Americans for Tax Fairness.

“O setor imobiliário conseguiu beneficiar-se das brechas [legais] mais do que qualquer outro setor nos Estados Unidos”, completa.

A legislação tributária dos Estados Unidos permite que os executivos relatem suas perdas para reduzir seus impostos nos anos subsequentes.

Também permite que as imobiliárias aproveitem seus prejuízos na área para compensar o pagamento de impostos sobre a renda em outros setores de atividade.

As divulgações do Times levantam questões sobre a legalidade de algumas práticas, como deduções de despesas de 747.622 dólares pagas pela Trump Organization à empresa de consultoria co-liderada por Ivanka Trump, filha do presidente.

A justiça de Nova York investiga o caso.

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