Economia

Forte queda das ações do Carrefour no Brasil após morte de homem negro

Crédito: AFP

Protesto em frente a supermercado da rede Carrefour em Porto Alegre no dia 20 de novembro de 2020 (Crédito: AFP)

As ações do Carrefour caíram mais de 6% nesta segunda-feira (23) na Bolsa de Valores de São Paulo, em meio à indignação causada pela morte brutal, na quinta-feira, de um homem negro, João Alberto Silveira de Freitas, nas mãos de seguranças em um supermercado do grupo em Porto Alegre.

Por volta das 14h, as ações da franquia brasileira do grupo francês, o CRFB3, tiveram queda de 6,18%, enquanto o índice Ibovespa das principais ações registrava alta de 0,85%.

Na sexta-feira, um dia após o trágico acontecimento, as ações do Carrefour fecharam com alta de 0,49%, apesar de que durante o dia – que coincidiu com o Dia da Consciência Negra no país – as redes social e as ruas registraram a indignação coletiva, com manifestações contra o racismo e pedidos por boicote à rede de supermercados.

“Hoje as ações estão repercutindo as manifestações do fim de semana, que afetou a imagem do Carrefour. Além disso, grandes empresas, como a Ambev, também pediram medidas imediatas para evitar novos episódios” como o que ocorreu nas instalações do grupo francês, explica Alex Agostini, da Austin Rating, à AFP.

Na Bolsa de Paris, as ações do Carrefour registraram queda de 2,21% nesta segunda-feira.


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O Carrefour vive dias difíceis desde que o vídeo em que um segurança do supermercado de Porto Alegre aparece socando João Alberto, de 40 anos, no estacionamento do supermercado, enquanto outro o mantinha imobilizado, até que ele não resistisse.

O caso abalou o país, que há séculos convive com o racismo estrutural. Na sexta à noite e no final de semana, foram realizados protestos que reuniram centenas de pessoas em frente aos supermercados Carrefour em Porto Alegre e outras grandes cidades do país.

Em uma filial da rede no bairro Jardim Paulista, em São Paulo, um grupo de pessoas atirou pedras na fachada de vidro e invadiu o estabelecimento, destruindo e ateando fogo nas mercadorias, vitrines e outras instalações, segundo constatou um fotógrafo da AFP.

Na sexta-feira, em uma série de tuítes em português, o CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, expressou suas condolências pelo “ato horrível” e considerou as imagens como “insuportáveis”.

Solicitou também “uma revisão completa das ações de formação dos funcionários e terceirizados em matéria de segurança, respeito à diversidade, valores de respeito e repúdio à intolerância”.

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