Forças leais ao Governo de Unidade Nacional líbio (GNA) anunciaram neste sábado (3) ter lançado um novo ataque contra o último reduto do grupo Estado Islâmico (EI) na cidade de Sirte.
“Os combates começaram. Estamos atacando as últimas posições do Daesh no distrito 3”, disse à AFP um combatente das forças do GNA, empregando o acrônimo em árabe para o EI.
“Nossas forças avançam ao interior dos últimos focos (de resistência), onde se escondem os últimos combatentes do Daesh no distrito 3 e tomaram o controle de várias posições”, entre elas dois bancos e um hotel, confirmou o GNA no Facebook, acrescentando que desarticularam um ataque suicida com carro-bomba.
Situada na costa mediterrânea 450 km a leste de Trípoli, Sirte se tornou o reduto do EI na Líbia desde que o país foi ocupado, em junho de 2015.
Esses novos combates deixaram ao menos 10 mortos e cerca de 60 feridos nas fileiras dos pró-GNA, segundo um médico do Hospital Central de Misrata.
Um fotógrafo da AFP presente em Sirte viu ambulâncias deixarem a cidade em direção a Misrata, situada no meio do caminho entre Sirte e Trípoli.
Segundo o GNA, ao menos dez cadáveres de extremistas foram encontrados em uma escola do distrito 1 da cidade.
Em maio passado, as tropas leais ao GNA lançaram uma operação militar para voltar a controlar a cidade.
No último domingo (28), as forças do governo anunciaram o início da batalha final para reconquistar todo o território de Sirte.
Na quarta-feira (31), o chefe do governo provisório, Fayez Al-Sarraj, visitou a cidade pela primeira vez desde que as forças leais lançaram sua ofensiva.
Al-Sarraj e alguns de seus ministros visitaram as linhas de frente e o centro de conferências Uagadugu, que foi utilizado durante meses pelo EI como centro de operações.
“Continuaremos expulsando, com a ajuda de Deus, o que resta do Daesh, e vamos atingi-los onde quer que estejam em nosso país”, prometeu Al-Sarraj.
A tomada da cidade por parte do EI no ano passado alarmou a comunidade internacional, que temia que os extremistas utilizassem-na para preparar ataques na Europa.
Os extremistas aproveitaram o caos na Líbia após a revolta popular de 2011 para se apoderar de Sirte, em junho de 2015.
A ofensiva recebeu apoio aéreo dos Estados Unidos.
O Pentágono informou na sexta-feira (2) que, desde o início da campanha aérea, em 1º de agosto, os drones, helicópteros e bombardeiros americanos atacaram 108 vezes alvos do EI em Sirte.
Permanecem na cidade menos de 200 combatentes extremistas, segundo o porta-voz do Pentágono, Jeff Davis, que garantiu que as forças do GNA conseguiram cercá-los completamente.
A queda de Sirte representaria um novo golpe para o grupo extremista sunita, que já bate em retirada em várias partes da Síria e do Iraque.