O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou o emprego da Força Nacional de Segurança Pública por 90 dias na região da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A operação, publicada nesta segunda-feira, 19, terá apoio aos órgãos federais e estaduais e será coordenada pela Polícia Federal.
A medida está prevista na Portaria MJSP nº 1.321/2026 e tem caráter temporário e planejado. Segundo o governo, os agentes atuarão na preservação da ordem pública e na proteção de pessoas e patrimônio na área do empreendimento, instalado no Rio Xingu.
A portaria não detalha um fato específico que tenha motivado a mobilização nem informa o tamanho do efetivo. A definição do número de profissionais caberá à Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública, vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Operação terá coordenação da Polícia Federal
A Força Nacional trabalhará de forma integrada com os órgãos de segurança pública do Pará, sob coordenação da Polícia Federal. O órgão que solicitou o reforço será responsável por garantir as condições logísticas e a infraestrutura necessárias às atividades.
Criada para apoiar estados e órgãos federais em situações determinadas, a Força Nacional é formada por profissionais de segurança cedidos temporariamente por unidades da federação e mobilizados pelo Ministério da Justiça.
Dez anos de Belo Monte
A autorização ocorre no ano em que Belo Monte completou uma década de inauguração oficial. Concebido em meados dos anos 1970, o projeto ganhou repercussão internacional pelo plano de desviar parte do fluxo do Rio Xingu para o reservatório da hidrelétrica, em um trecho de cerca de 130 quilômetros.
Administrada pela Norte Energia desde 2010, a usina responde, segundo a concessionária, por uma média anual equivalente a 5% da demanda de energia elétrica do país. A empresa também afirma ter investido mais de R$ 8 bilhões em compromissos socioambientais ligados ao licenciamento.
O empreendimento, no entanto, segue no centro de debates ambientais e sociais. Em carta aberta divulgada neste ano, organizações indígenas, indigenistas e socioambientais apontaram impactos sobre comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadoras do médio Xingu, agravados, segundo as entidades, por eventos climáticos extremos. A autorização da Força Nacional não relaciona a operação a essas discussões.
Da IstoÉ e Agência Brasil