Comportamento

Fora das galerias

Distribuído pelas 27 capitais brasileiras, o projeto “Modos de Ação para Propagar Arte” expõe obras em outdoors assinados por grandes artistas

Crédito: Divulgação

BRASÍLIA Vera Chaves Barcellos: “Reuni fotos de primatas, imagens de chamas retiradas de um vídeo e cruzes para lembrar o País onde estamos. Aqui impera a indiferença pelas massivas mortes da pandemia e inúmeras queimadas Brasil afora” (Crédito: Divulgação)

BANALIDADE DO MAL Anna Maria Maiolino: “A obra foi inspirada pelo livro ‘Entre o Passado e o Futuro’, da filósofa Hanna Arendt, que me comoveu profundamente.” (Crédito:Divulgação)

O genial artista plástico Hélio Oiticica dizia que “o museu é o mundo”. Pois a chamada “arte de rua” não está mais restrita aos coloridos grafites que estampam os muros das cidades em todo o País. Um projeto que mistura ativismo e expressão artística espalhou pelas capitais brasileiras um formato de exposição bem distante das galerias: os outdoors. A proposta do “M.A.P.A. — Modos de Ação para Propagar Arte” é expor gratuitamente nas ruas das cidades obras instigantes de nomes da arte contemporânea brasileira, como Augusto de Campos e Arnaldo Antunes.

Idealizado por Cecilia Tanure e Camilla Barella, do Viva Projects, com curadoria de Patricia Wagner, a mostra foi batizada de “No Calor da Hora” e tem como objetivo provocar reflexão ao deixar a

“A mostra é a resposta artística a uma situação sem precedentes na nossa história ” – Patrícia Wagner, curadora do M.A.P.A. (Crédito:Divulgação)

arte acessível a todos — ainda mais em tempos de pandemia. Em São Paulo, a proposta enfrentou um problema: a lei da Cidade Limpa, que proíbe a instalação de outdoors. A solução foi levar a obra para um município adjacente: assinada por Éder Oliveira, ela foi parar em Osasco.

A intervenção urbana reúne, ao todo, 27 artistas distribuídos pelas 27 capitais. Entre outros, participaram André Komatsu, Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Karim Ainouz, Lenora de Barros, Paulo Bruscky e Vera Chaves Barcellos. O objetivo de “No Calor da Hora” é que cada artista, a partir de seu próprio estilo e linguagem, apresente uma provocação às questões que afligem o País e o mundo atualmente.

No calor da hora

ESCUTA Lenora de Barros: “A imagem carrega metaforicamente as tensões que estão no ar no momento atual. É a ideia de ruídos reprimidos e sufocados que vêm à tona agora, um barulho sugerido ao olhar através de pregos fincados” (Crédito:Divulgação)

“Por ser uma mostra bastante fragmentada, com apenas um outdoor por capital, procuramos contemplar a pluralidade da arte contemporânea”, afirma a curadora Patrícia Wagner. “A mostra é a resposta artística a uma situação sem precedentes na nossa história. As obras solucionam uma mesma questão: ‘o que é agir e pensar no calor da hora?’. A partir daí, alguns artistas criaram propostas mais alinhadas com as cidades onde seriam expostos, outros preferiram fazer trabalhos mais universais.”

“Nossos projetos sempre foram pensados para inserir a arte no cotidiano, tornando possível que ela penetre na vida das pessoas de maneiras diferentes. Sempre tivemos, porém, um desejo de trabalhar em uma escala maior e mais plural, até para ser capaz de acessar públicos diferentes”, afirma Camilla Barella, da VIVA Projects.

VIVA VAIA Augusto de Campos: “O poema foi criado em 1972 em homenagem a uma fala de Caetano Veloso. Hoje é uma vaia ao atual governo” (Crédito:Divulgação)

O texto de apresentação cita situações em que o outdoor fora usado como suporte para arte por nomes como Felix González-Torres, Paulo Bruscky, Alfredo Jaar, assim como Hank Willis Thomas em seu projeto recente, “For Freedoms”, que serviu abertamente de inspiração ao projeto brasileiro. Essa retrospectiva histórica, assim como a possibilidade de subverter o uso do espaço de publicidade, na maioria das vezes usados por grandes corporações, também foi incorporado à versão brasileira. Dentro ou fora das galerias, a arte da contestação é sempre bem-vinda.

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