Foi assim (?)

Estados Unidos. Casa Branca, Situation Room, sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

O presidente Donald Trump adentra a sala de guerra repleta de militares, enquanto termina seu McFlurry de Oreo. No telão, uma imagem de satélite esverdeada, difícil de interpretar, sugere um comboio militar em algum ponto do planeta.

— Presidente, a identidade do alvo está confirmada.

É mesmo o Soleimani, como suspeitávamos — afirma com segurança um general com o peito cheio de condecorações.

— Somelani quem? — Trump pergunta sem levantar a cabeça, raspando o fundo do copo de sorvete.

— Soleimani, senhor, do Irã. Sabe? Aquele que… — o presidente não sabe, mas faz um gesto com a mão interrompendo o general.

— Toca pau. Toca pau.

Os oficiais sem entreolham.

— Senhor?

— Passa fogo, gente! Vamo, vamo, vamo! Tenho uma reunião daqui trinta minutos com o pessoal do Doral, lá de Miami.

Um assessor cochicha ao ouvido presidencial.

— Ato de guerra? Mas que ato de guerra? O sujeito é um terrorista, não é?

Os militares se entreolham na dúvida se Soleimani é ou não um terrorista.

Um sujeito da CIA arrisca — Bem, senhor presidente, tecnicamente Soleimani não é um terrorista. Ele é um…

Trump interrompe.

— Passa fogo no safado e bota na conta do Papa! — o líder supremo da democracia é fã do Capitão Nascimento, mas ninguém entendeu a referência.

— Não é melhor o senhor avisar o Congresso? — sugere o assessor, agora em voz alta.

— Que mané Congresso, rapaz! Eu sou o presidente ou não sou?

Um general dá o comando. E pronto. Em segundos, o comboio que transportava o general Soleimani vira paçoca fumegante. Os militares aplaudem. Trump deixa a sala apressado. Business as usual para o líder do mundo livre.

O impacto da decisão gera dúvidas e controvérsias até entre os representantes de seu partido, o Republicano. Porém, muito mais do que questionar a decisão, agora o mundo está tenso, aguardando a resposta do Irã. Especialistas garantem que o país do Oriente Médio não arriscaria atacar os Estados Unidos, mas nunca se sabe.

Irã. Centro de lançamento de mísseis, terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A base da Guarda Revolucionária iraniana não é o que se poderia imaginar. Nada além de uma salinha escura, cheia de equipamentos obsoletos. Uma mistura improvisada de tecnologias russa e americana dos anos 1970 e 1980.

Sentado em sua cadeira, sob uma lâmpada pendente do teto, um soldado preenche palavras cruzadas como todas as noites. Toca o telefone. Daqueles pretos, de disco.

— Soldado Shahab, a postos! — atende assustado.

Do outro lado da linha, um general transmite instruções. O soldado anota as coordenadas na margem de sua revistinha, o único papel disponível. São dez coordenadas, uma para cada míssil da bateria.

— Se deu dez? Deixa eu ver, meu comandante — o soldado conta as latitudes e longitudes que recebeu.

— Isso, senhor general. Deu dez certinho. Vou confirmar as coordenadas. Oi? Não precisa? Certo, senhor! E lanço a que horas? Já??? Ok, senhor. Imediatamente.

O general continua falando do outro lado da linha.

— O radar? Está ótimo. Sim, arrumaram tudo. Era só um mau contato. Sim, senhor. Vou monitorar. Aviões americanos… Entendo. Derrubar? Ok. Entendido.

O general se despede daquele seu modo formal e severo de sempre, mas informando que, diante de qualquer problema, estará na sauna de sempre.

O resto vocês já sabem. E vamos vendo.

Tivemos acesso exclusivo aos diálogos suspeitos que antecederam tudo isso que está pegando no Oriente Médio  e em Washington. A coisa é mais simples  e bem pior do que parece


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