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FMI, me dá um dinheiro aí

Valorização do dólar revolta população e leva o governo de Mauricio Macri a pedir crédito de US$ 30 bilhões ao FMI

Crédito: David Fernandez

SOCORRO Macri com Christine Lagarde, do FMI, e a população em protesto: juros foram a 40% (Crédito: David Fernandez)

Em um país como a Argentina, em que boa parte da população pensa – e poupa – em dólar desde a década de 1970, qualquer variação cambial é acompanhada com interesse redobrado. Nos últimos dias, a alta do dólar instaurou o caos na economia argentina. A moeda chegou a ser cotada a 23,40 pesos na terça-feira 8. E o governo elevou a taxa de juros de 25% para 40%. O presidente Mauricio Macri anunciou que pedirá uma linha de crédito de US$ 30 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no que chamou de “medida preventiva”. O caso da Argentina revela como a conjunção internacional e políticas internas que deram errado deixaram o país em uma situação problemática.

Eitan Abramovich

Uma seca no começo do ano aumentou o preço dos alimentos e deixou ainda mais indignados os argentinos, já insatisfeitos com o aumento de tarifas de transportes e energia, congelados nos governos de Néstor e Cristina Kirchner. Segundo analistas, a inflação passará de 22% em 2018, bem acima dos 15% previstos. Será o terceiro ano consecutivo fora da meta.

A alta do dólar, um fenômeno que teve impacto em outras economias, incluindo o Brasil, apenas agravou a situação.

Reajustes

A negociação com o FMI pode levar um mês e meio. Até lá, o presidente Mauricio Macri ainda terá de se preocupar com o impacto que a valorização do dólar tem causado à sua já abalada imagem. Visto há poucos meses como o mais reformista presidente argentino, Macri tem sofrido com o impopular reajuste das tarifas. Na quarta-feira 9, o governo sofreu novo golpe com a aprovação de um projeto, criado pela oposição, com apoio de setores governistas, que limita o aumento das tarifas. Se passar no Senado, deixará Macri sem dinheiro para governar.

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